<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD Journal Publishing DTD v3.0 20080202//EN" "journalpublishing3.dtd">
<article article-type="research-article" dtd-version="3.0" xml:lang="pt" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink">

	<front>
		<journal-meta>
			<journal-id journal-id-type="publisher-id">Asclepio</journal-id>
			<journal-title-group>
				<journal-title>ASCLEPIO. Revista de Historia de la Medicina y de la Ciencia</journal-title>
				<abbrev-journal-title>Asclepio</abbrev-journal-title>
			</journal-title-group>
			<issn pub-type="epub">0210-4466</issn>
			<publisher>
				<publisher-name>Consejo Superior de Investigaciones Cient&#x00ED;ficas</publisher-name>
			</publisher>
		</journal-meta>
		
		<article-meta>
			 <article-id pub-id-type="publisher-id">asclepio.2015.09</article-id>
			 <article-id pub-id-type="doi">10.3989/asclepio.2015.09</article-id>
			 
			<article-categories>
				<subj-group subj-group-type="heading">
				<subject>ESTUDIOS / RESEARCH STUDIES</subject>
				</subj-group>
			</article-categories>
						
			<title-group>
				<article-title>A assist&#x00EA;ncia &#x00E0; doen&#x00E7;a no Alto Minho oitocentista: o caso do hospital de Nossa Senhora da Visita&#x00E7;&#x00E3;o de Caminha</article-title>
				<trans-title-group xml:lang="en">
					<trans-title>The Assistance to the Disease in the Alto Minho of the Nineteenth Century: The Case of the Nossa Senhora da Visita&#x00E7;&#x00E3;o Hospital of Caminha</trans-title>
				</trans-title-group>
				<alt-title alt-title-type="running-head">A assist&#x00EA;ncia &#x00E0; doen&#x00E7;a no Alto Minho oitocentista</alt-title>
			</title-group>
			
			<contrib-group>
			  
			  <contrib contrib-type="author" corresp="yes">
				<name>
				 <surname>Esteves</surname>
				 <given-names>Alexandra</given-names>
				</name>
				<xref ref-type="aff" rid="U1"/>
				<xref ref-type="corresp" rid="cor1"/>
			  </contrib>
			  
			  <aff id="U1">Universidade Cat&#x00F3;lica Portuguesa e Investigadora do Lab2PT, Instituto de Ci&#x00EA;ncias Sociais, Universidade do Minho</aff>
			  
			</contrib-group>
			
			<author-notes>
				<corresp id="cor1"><email xlink:href="estevesalexandra@gmail.com">estevesalexandra@gmail.com</email></corresp>
			</author-notes>
	
			<pub-date pub-type="epub">		
				<day>30</day>
				<month>06</month>
				<year>2015</year>
			</pub-date>
		
			<pub-date pub-type="collection">  
				<year>2015</year>
			</pub-date>
			
			<volume>67</volume>
			<issue>1</issue>
			
			<elocation-id content-type="doi">10.3989/asclepio.2015.09</elocation-id>

			<history>
				<date date-type="received">
					<day>23</day>
					<month>02</month>
					<year>2014</year>
				</date>
				<date date-type="accepted">
					<day>10</day>
					<month>06</month>
					<year>2014</year>
				</date>
			</history>
		 
			<permissions>
				<copyright-statement>&#x00A9; 2015 CSIC</copyright-statement>
				<copyright-year>2015</copyright-year>
				<license license-type="open-access" xlink:href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc/3.0/">
					<license-p>Este es un art&#x00ED;culo de acceso abierto distribuido bajo los t&#x00E9;rminos de la licencia Creative Commons Attribution-Non Commercial (by-nc) Spain 3.0.</license-p>
				</license>
			</permissions>
			
			<abstract xml:lang="pt">
				<title>RESUMO</title>
				<p>O presente trabalho tem como objetivo analisar o papel desempenhado pelo hospital da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha na assist&#x00EA;ncia &#x00E0; doen&#x00E7;a, durante o s&#x00E9;culo XIX. Nesse sentido, atrav&#x00E9;s da atividade desenvolvida por esta institui&#x00E7;&#x00E3;o e pelos profissionais que nela trabalhavam, procuraremos conhecer as respostas que ent&#x00E3;o eram proporcionadas no &#x00E2;mbito da presta&#x00E7;&#x00E3;o de cuidados de sa&#x00FA;de &#x00E0; popula&#x00E7;&#x00E3;o. Temos ainda como objetivo evidenciar as particularidades que caracterizavam o quotidiano daquela unidade hospitalar, considerando os doentes que a procuravam e as enfermidades de que padeciam e tendo ainda presente o contexto econ&#x00F3;mico e social que, na cent&#x00FA;ria de oitocentos, marcava a vila alto minhota de Caminha.</p>
			</abstract>
			
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>This study aims to analyze the role played, in care of illness, by the hospital of the Miseric&#x00F3;rdia of Caminha during the nineteenth century. Through the action of this institution and the professionals who worked on it, we will try to know the answers within the framework of existing health care in this village in northern Portugal. We also aim to highlight the peculiarities that characterized the hospital daily life of this institution, analyzing those who sought and the diseases which affected them, always intending to establish a relationship with the economic and social context that marked this village of the Alto Minho region in the 19th century.</p>
			</trans-abstract>

			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>PALAVRAS CHAVE</title> 
				<kwd>Hospital</kwd>	
				<kwd>Miserc&#x00F3;rdia</kwd>
				<kwd>Caminha</kwd>
				<kwd>Doentes</kwd>
				<kwd>Enfermidades</kwd>
			</kwd-group>

			<kwd-group xml:lang="en"> 
				<title>KEYWORDS</title>
				<kwd>Hospital</kwd>	
				<kwd>Miseric&#x00F3;rdia</kwd>
				<kwd>Caminha</kwd>
				<kwd>Patients</kwd>
				<kwd>Diseases</kwd>
			</kwd-group>
		
		</article-meta>
	</front>		
	
	<body>	
			
		<sec id="S1">
			<title>1. INTRODU&#x00C7;ÃO </title>

			<p>O estudo das institui&#x00E7;&#x00F5;es, nas suas diversas vertentes, permite descobrir muitos dos problemas das sociedades passadas e contempor&#x00E2;neas, bem como identificar os procedimentos adotados com vista &#x00E0; sua resolu&#x00E7;&#x00E3;o. &#x00C9; o que acontece, por exemplo, no dom&#x00ED;nio da sa&#x00FA;de. O estudo dos hospitais representa um contributo fundamental para a compreens&#x00E3;o da atitude da sociedade face &#x00E0; doen&#x00E7;a e aos doentes, al&#x00E9;m de proporcionar informa&#x00E7;&#x00E3;o acerca da incid&#x00EA;ncia das diversas enfermidades e as formas de tratamento. Um conhecimento mais aprofundado sobre estes assuntos s&#x00F3; poder&#x00E1; ser alcan&#x00E7;ado atrav&#x00E9;s de an&#x00E1;lises comparativas e inter-regionais. No entanto, uma investiga&#x00E7;&#x00E3;o mais micro, focalizada numa determinada unidade hospitalar, pode satisfazer outras pretens&#x00F5;es, tais como descobrir a sua &#x00E1;rea de interven&#x00E7;&#x00E3;o, conhecer os seus utentes e as raz&#x00F5;es que os levavam a procurar os seus servi&#x00E7;os, al&#x00E9;m de permitir a coloca&#x00E7;&#x00E3;o de quest&#x00F5;es mais abrangentes que se inscrevem no dom&#x00ED;nio do social e da sa&#x00FA;de p&#x00FA;blica. </p>

			<p>O nosso trabalho centra-se no hospital de Caminha, vila situada no distrito de Viana do Castelo, junto &#x00E0; fronteira com a prov&#x00ED;ncia espanhola da Galiza<xref ref-type="fn" rid="NOTE01">1</xref>. Trata-se de uma pequena unidade hospitalar, destinada a receber doentes pobres de ambos os sexos, cuja funda&#x00E7;&#x00E3;o remonta ao s&#x00E9;culo XV e que foi integrada na Santa Casa da Miseric&#x00F3;rdia da vila em 1516 (Esteves, <xref ref-type="bibr" rid="CIT15">2011</xref>, pp. 201-2012; Ara&#x00FA;jo, <xref ref-type="bibr" rid="CIT04">2005</xref>, pp. 668-669). Em oitocentos, anexo ao hospital, existia um banco onde, diariamente, eram feitos pequenos curativos, que para os pobres eram gratuitos<xref ref-type="fn" rid="NOTE02">2</xref>. Al&#x00E9;m do internamento e tratamento, a institui&#x00E7;&#x00E3;o prestava ainda apoio domicili&#x00E1;rio aos enfermos, sempre que tal se justificava<xref ref-type="fn" rid="NOTE03">3</xref>. </p>

			<p>No s&#x00E9;culo XIX, tirando o per&#x00ED;odo compreendido entre 1856 e 1862, para o qual n&#x00E3;o dispomos de informa&#x00E7;&#x00E3;o, esta unidade hospitalar assistiu, entre 1840 e 1878, um total de 1056 doentes, sendo 537 homens e 511 mulheres, se bem que em alguns casos n&#x00E3;o era mencionado o sexo dos pacientes<xref ref-type="fn" rid="NOTE04">4</xref>. Esta proximidade dos n&#x00FA;meros demonstra que os elementos do sexo feminino n&#x00E3;o tinham qualquer pejo em recorrer aos servi&#x00E7;os hospitalares, ao contr&#x00E1;rio do que acontecia noutras regi&#x00F5;es do pa&#x00ED;s, onde a elevada aflu&#x00EA;ncia de homens levaria certamente muitas mulheres, por uma quest&#x00E3;o de pudor, a optarem pelo tratamento no recato do lar (Ara&#x00FA;jo, <xref ref-type="bibr" rid="CIT08">2010</xref>; Lopes, <xref ref-type="bibr" rid="CIT21">2000</xref>, pp. 679-630). </p>

			<p>O ritmo de entradas conheceu varia&#x00E7;&#x00F5;es, determinadas certamente pelas vicissitudes que afetaram a regi&#x00E3;o e que marcaram a vida do concelho e do distrito de Viana do Castelo nestes anos da cent&#x00FA;ria de oitocentos. Os anos de 1848 e 1849 foram os que registaram um maior n&#x00FA;mero de ingressos: 98 e 99 doentes, respetivamente. Nesse per&#x00ED;odo, ressalta a entrada de homens e mulheres que, genericamente, eram qualificados como pobres, tendo sido adotada uma nomenclatura que visava a sua diferencia&#x00E7;&#x00E3;o: «pobre»; «pobre de pedir»; «pobre de pedir pelas portas»; «pobre de pedir e cega»; «pobre e aleijada»; «pobre mendicante». Muitos dos que surgem com esta classifica&#x00E7;&#x00E3;o tinham uma ocupa&#x00E7;&#x00E3;o, mas que n&#x00E3;o era decerto suficiente para garantir a sua subsist&#x00EA;ncia ou do agregado familiar. </p>

			<p>Ap&#x00F3;s um per&#x00ED;odo de decr&#x00E9;scimo, o n&#x00FA;mero de internamentos registou um aumento significativo em 1877. Neste ano, acorreram ao hospital de Caminha 77 doentes. Tal facto poder&#x00E1; ser explicado, em larga medida, pelos acidentes que ocorreram durante a constru&#x00E7;&#x00E3;o do caminho de ferro que atravessa v&#x00E1;rias localidades do concelho (Feij&#x00F3;, <xref ref-type="bibr" rid="CIT16">1992</xref>, p. 153). Entre janeiro de 1877 e igual m&#x00EA;s de 1878, entraram naquela institui&#x00E7;&#x00E3;o 39 sinistrados, sendo as fraturas, contus&#x00F5;es e queimaduras as principais causas da sua hospitaliza&#x00E7;&#x00E3;o<xref ref-type="fn" rid="NOTE05">5</xref>. No caso dos oper&#x00E1;rios mais velhos, o esfor&#x00E7;o f&#x00ED;sico que lhes era exigido agravava as mazelas associadas ao exerc&#x00ED;cio da profiss&#x00E3;o. Assim se explica que o reumatismo fosse tamb&#x00E9;m um dos motivos que levava v&#x00E1;rios trabalhadores a procurarem os servi&#x00E7;os hospitalares<xref ref-type="fn" rid="NOTE06">6</xref>. Entre os internados, al&#x00E9;m de portugueses origin&#x00E1;rios do concelho e de terras mais long&#x00ED;nquas, designadamente de Mes&#x00E3;o Frio, Leiria, Celorico da Beira e S&#x00E3;o Jo&#x00E3;o da Pesqueira, havia alguns de nacionalidade espanhola, provenientes sobretudo da Galiza. S&#x00F3; em 1877 foram hospitalizados 18 trabalhadores galegos<xref ref-type="fn" rid="NOTE07">7</xref>.  </p>

			<p>A &#x00E1;rea de interven&#x00E7;&#x00E3;o do hospital abrangia sobretudo as popula&#x00E7;&#x00F5;es do concelho de Caminha, embora acolhesse tamb&#x00E9;m enfermos procedentes de outros lugares. Entre os n&#x00E3;o naturais, destacavam-se os galegos, cujo n&#x00FA;mero superava o de pacientes de concelhos pr&#x00F3;ximos que integram o distrito de Viana do Castelo, como Mon&#x00E7;&#x00E3;o, Melga&#x00E7;o, Ponte de Lima, Arcos de Valdevez ou Ponte da Barca. </p>

			<p>A presen&#x00E7;a de galegos, em n&#x00FA;mero apreci&#x00E1;vel, resultava, desde logo, da proximidade geogr&#x00E1;fica com a prov&#x00ED;ncia da Galiza. Eram v&#x00E1;rios os motivos que os traziam a Portugal: uns procuravam trabalho, outros fugiam ao servi&#x00E7;o militar ou &#x00E0;s malhas da justi&#x00E7;a, outros ainda vinham simplesmente mendigar (Fern&#x00E1;ndez Cortizo, <xref ref-type="bibr" rid="CIT17">2006</xref>, pp. 41-58; Alves, <xref ref-type="bibr" rid="CIT01">2002</xref>, pp. 117-126; Dur&#x00E3;es, <xref ref-type="bibr" rid="CIT14">2006</xref>, pp. 133-150). Assim, muitos dos que procuravam o hospital da Miseric&#x00F3;rdia eram pobres. A maioria residia no concelho de Caminha, outros estavam s&#x00F3; de passagem. Era este o caso de Jo&#x00E3;o Ant&#x00F3;nio Rodrigues, um aguadeiro, natural de Pontevedra, que, vindo de Lisboa, n&#x00E3;o suportou a longa jornada at&#x00E9; ao Norte. Doente e muito debilitado, recorreu ao hospital de Caminha, onde veio a falecer<xref ref-type="fn" rid="NOTE08">8</xref>.  </p>

			<p>Na d&#x00E9;cada de 40, numa altura em que o Alto Minho viveu momentos conturbados, que exigiram a interven&#x00E7;&#x00E3;o das for&#x00E7;as militares, foi elevado o n&#x00FA;mero de soldados internados. Tal como as grandes obras ou os trabalhos sazonais, tamb&#x00E9;m as movimenta&#x00E7;&#x00F5;es do ex&#x00E9;rcito arrastavam indiv&#x00ED;duos oriundos das mais diversas regi&#x00F5;es do pa&#x00ED;s, o que se refletia, ainda que momentaneamente, na popula&#x00E7;&#x00E3;o hospitalar, aquando da sua passagem por uma determinada localidade. Assim acontecia em Caminha. No que diz respeito &#x00E0;s raz&#x00F5;es que levavam os soldados ao hospital, apenas as conhecemos a partir da d&#x00E9;cada de 60 (G&#x00F3;mez Rodr&#x00ED;guez, <xref ref-type="bibr" rid="CIT19">1991</xref>, pp. 292-305; Ramos Mart&#x00ED;nez, <xref ref-type="bibr" rid="CIT24">1989</xref>, pp. 367-377). Mais do que as a&#x00E7;&#x00F5;es b&#x00E9;licas, eram maleitas diversas, como o reumatismo, a gastroepatite ou a supress&#x00E3;o de transpira&#x00E7;&#x00E3;o, que os for&#x00E7;avam a procurar cuidados m&#x00E9;dicos<xref ref-type="fn" rid="NOTE09">9</xref>. Os soldados, tal como os guardas-fiscais e marinheiros, tinham que pagar o seu internamento. </p>

			<p>Os irm&#x00E3;os da Santa Casa da vila tinham prioridade no acesso ao hospital de Nossa Senhora da Visita&#x00E7;&#x00E3;o, ao passo que os doentes portadores de enfermidades contagiosas e cr&#x00F3;nicas, nomeadamente os tinhosos, os sifil&#x00ED;ticos e os tuberculosos, n&#x00E3;o eram admitidos. Tratava-se de mol&#x00E9;stias que, ao longo do s&#x00E9;culo XIX e, inclusive, no s&#x00E9;culo XX, continuavam a assumir uma dimens&#x00E3;o epid&#x00E9;mica. Tamb&#x00E9;m n&#x00E3;o eram aceites os estrangeiros que n&#x00E3;o tivessem morada estabelecida no concelho de Caminha, que n&#x00E3;o apresentassem documento comprovativo da gravidade da enfermidade ou que, se n&#x00E3;o houvesse risco imediato para a sua sa&#x00FA;de, pudessem ser transferidos para o hospital das terras de origem. </p>
		</sec>

		<sec id="S2">
			<title>2. O QUOTIDIANO HOSPITALAR</title>

			<p>A unidade hospitalar era constitu&#x00ED;da por duas enfermarias, mas desconhecemos se existia <italic>numerus clausus</italic> nas entradas, uma vez que os seus estatutos apenas referem que o n&#x00FA;mero de pacientes admitidos devia ser regulado de acordo com a capacidade financeira da institui&#x00E7;&#x00E3;o<xref ref-type="fn" rid="NOTE10">10</xref>.  </p>

			<p>Os doentes menos abastados que pretendessem ingressar no hospital tinham que dirigir um requerimento ao provedor da Santa Casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha. Geralmente, os peticion&#x00E1;rios, al&#x00E9;m da doen&#x00E7;a, invocavam a pobreza para justificar o seu pedido. O hospital tamb&#x00E9;m dispunha de quartos particulares para os mais endinheirados. Em 1877, segundo o disposto no regulamento da institui&#x00E7;&#x00E3;o, os doentes que quisessem permanecer nas enfermarias gerais teriam de desembolsar 240 r&#x00E9;is por dia. Se, durante a estadia, pretendessem que lhes fosse servido vinho maduro, acresciam 60 r&#x00E9;is ao valor inicial. Caso optassem por quartos particulares, pagariam diariamente 400 r&#x00E9;is. Se o regime alimentar inclu&#x00ED;sse vinho maduro, assados e comida distinta da dos restantes doentes, ent&#x00E3;o o montante ascendia aos 600 r&#x00E9;is. Na eventualidade de desejarem usufruir da enfermaria privativa, a quota di&#x00E1;ria atingia os 1000 r&#x00E9;is<xref ref-type="fn" rid="NOTE11">11</xref>. </p>

			<p>Os doentes que n&#x00E3;o estivessem em condi&#x00E7;&#x00F5;es de se dirigirem ao hospital pelos pr&#x00F3;prios meios seriam visitados pelo m&#x00E9;dico da institui&#x00E7;&#x00E3;o, que se encarregava de verificar a necessidade de ser utilizada a maca ou a cadeirinha para os transportar<xref ref-type="fn" rid="NOTE12">12</xref>. Por norma, os doentes eram tratados por um &#x00FA;nico m&#x00E9;dico e apenas em casos excecionais o hospital recorria aos servi&#x00E7;os de outro facultativo.  </p>

			<p>A ordem e o sil&#x00EA;ncio, bem como o hor&#x00E1;rio de admiss&#x00E3;o de doentes, das refei&#x00E7;&#x00F5;es e visitas, deviam ser escrupulosamente respeitados. Havia um controlo muito apertado sobre as pessoas estranhas ao hospital, para impedir qualquer ocorr&#x00EA;ncia que perturbasse o seu normal funcionamento. Julgamos, no entanto, que esta vigil&#x00E2;ncia tamb&#x00E9;m visava impedir a sa&#x00ED;da indevida de g&#x00E9;neros alimentares, subst&#x00E2;ncias medicamentosas e outros produtos destinados aos doentes. Ali&#x00E1;s, os furtos praticados na institui&#x00E7;&#x00E3;o ocorriam com alguma frequ&#x00EA;ncia. Os autores destes atos, quando identificados, podiam ser entregues &#x00E0; autoridade administrativa<xref ref-type="fn" rid="NOTE13">13</xref>.  </p>

			<p>O mordomo do m&#x00EA;s liderava o governo do hospital. Cabia-lhe, entre outras fun&#x00E7;&#x00F5;es, controlar as visitas, fiscalizar diariamente a qualidade das ra&#x00E7;&#x00F5;es de p&#x00E3;o e carne e outros alimentos distribu&#x00ED;dos aos doentes, visitar as enfermeiras v&#x00E1;rias vezes ao dia, inquirir os doentes sobre o modo como eram tratados, ouvir as suas queixas e tentar avaliar a sua rela&#x00E7;&#x00E3;o com os empregados com o intuito de verificar se aqueles partilhavam com estes a sua ra&#x00E7;&#x00E3;o, ou se a vendiam<xref ref-type="fn" rid="NOTE14">14</xref>. Competia-lhe ainda cuidar da inspe&#x00E7;&#x00E3;o sanit&#x00E1;ria do hospital, averiguando se as regras de higiene eram respeitadas, tratar da compra dos produtos necess&#x00E1;rios, avaliar se o doente podia suportar as despesas do seu curativo e proceder, mensalmente, &#x00E0; venda dos esp&#x00F3;lios<xref ref-type="fn" rid="NOTE15">15</xref>. </p>

			<p>As visitas aos enfermos, por familiares e amigos pr&#x00F3;ximos, apenas tinham lugar duas vezes na semana, aos domingos e &#x00E0; quinta-feira, n&#x00E3;o devendo exceder a meia hora. As &#x00FA;nicas exce&#x00E7;&#x00F5;es eram os acidentados, cujos familiares podiam entrar a qualquer momento no hospital. A partir das oito horas da noite at&#x00E9; ao amanhecer, o sil&#x00EA;ncio era a palavra de ordem, o que denota a import&#x00E2;ncia que era atribu&#x00ED;da ao repouso dos doentes. </p>

			<p>Os funcion&#x00E1;rios do hospital deviam respeitar um conjunto de normas no exerc&#x00ED;cio das suas fun&#x00E7;&#x00F5;es, em nome da ordem e da disciplina: n&#x00E3;o podiam falar alto, fumar, estar &#x00E0; janela, nem usar chap&#x00E9;u, roupas sujas ou tamancos. Os doentes, por seu lado, tamb&#x00E9;m tinham certos deveres a cumprir: n&#x00E3;o podiam recusar o alimento que lhes era prescrito e que fazia parte do seu tratamento, usar roupas indecorosas, erguer a voz, infringir qualquer ordem m&#x00E9;dica, como sair da cama sem autoriza&#x00E7;&#x00E3;o, faltar ao respeito aos outros pacientes ou pedir esmola aos visitantes<xref ref-type="fn" rid="NOTE16">16</xref> (Castro, <xref ref-type="bibr" rid="CIT13">2008</xref>, pp. 621-633). A necessidade de manter a ordem e o sossego era tamb&#x00E9;m um pretexto para que o internamento de doentes mentais n&#x00E3;o fosse bem visto. Em caso de incumprimento das regras estabelecidas, o infrator come&#x00E7;ava por ser repreendido, mas se houvesse reincid&#x00EA;ncia havia lugar &#x00E0; aplica&#x00E7;&#x00E3;o de san&#x00E7;&#x00F5;es, que podiam consistir na redu&#x00E7;&#x00E3;o da ra&#x00E7;&#x00E3;o ou na coloca&#x00E7;&#x00E3;o no isolamento<xref ref-type="fn" rid="NOTE17">17</xref>. Para as situa&#x00E7;&#x00F5;es mais graves estava prevista a expuls&#x00E3;o<xref ref-type="fn" rid="NOTE18">18</xref>.  </p>

			<p>Encontr&#x00E1;mos no hospital de Caminha claras preocupa&#x00E7;&#x00F5;es com o asseio e a higieniza&#x00E7;&#x00E3;o das instala&#x00E7;&#x00F5;es. Aquando da sua admiss&#x00E3;o, o doente, especialmente o pobre, devia tomar um banho e as suas roupas eram lavadas. Diariamente, as enfermarias eram limpas e as latrinas desinfetadas. Anualmente, o hospital era caiado e a palha das camas era renovada<xref ref-type="fn" rid="NOTE19">19</xref>. Caso se verificasse o ingresso de um doente portador de mal contagioso, os cuidados com a salubridade eram ainda mais rigorosos. </p>

			<p>No ide&#x00E1;rio portugu&#x00EA;s oitocentista, o trabalho continuava a funcionar como uma esp&#x00E9;cie de lenitivo num quotidiano marcado pela doen&#x00E7;a, mas onde n&#x00E3;o havia lugar para a ociosidade. Por isso mesmo, os indiv&#x00ED;duos que se encontrassem em asilos ou nas pris&#x00F5;es e at&#x00E9; mesmo os que estavam temporariamente arredados da viv&#x00EA;ncia p&#x00FA;blica por motivos de sa&#x00FA;de, deviam ocupar o esp&#x00ED;rito com um of&#x00ED;cio. Assim, segundo o regulamento do hospital do Caminha, os doentes convalescentes poderiam trabalhar at&#x00E9; quatro horas por dia, executando tarefas leves, como, por exemplo, consertar pe&#x00E7;as de roupa pertencentes &#x00E0; institui&#x00E7;&#x00E3;o<xref ref-type="fn" rid="NOTE20">20</xref>. </p>

			<p>Ao pessoal hospitalar estavam atribu&#x00ED;das tarefas espec&#x00ED;ficas, de modo a assegurar o bom funcionamento e a qualidade do servi&#x00E7;o. Assim, ao diretor cl&#x00ED;nico cabia visitar diariamente os doentes e trat&#x00E1;-los com afeto, prescrever as subst&#x00E2;ncias medicamentosas para o seu tratamento e convocar a Junta quando surgisse uma doen&#x00E7;a mais grave. O farmac&#x00EA;utico estava incumbido de fornecer, com a maior celeridade e a qualquer hora do dia, os rem&#x00E9;dios que fossem necess&#x00E1;rios<xref ref-type="fn" rid="NOTE21">21</xref> (Ara&#x00FA;jo, <xref ref-type="bibr" rid="CIT08">2010</xref>, pp. 35-52). Ao capel&#x00E3;o mor competia zelar pelo apoio espiritual do doente atrav&#x00E9;s da confiss&#x00E3;o e da administra&#x00E7;&#x00E3;o dos sacramentos, devendo estar sempre dispon&#x00ED;vel para acudir aos moribundos<xref ref-type="fn" rid="NOTE22">22</xref> (Ara&#x00FA;jo, <xref ref-type="bibr" rid="CIT02">2000</xref>, p. 641). A hospitaleira estava encarregada de organizar a vida do hospital de acordo com as orienta&#x00E7;&#x00F5;es do mordomo e do diretor cl&#x00ED;nico, zelar pela limpeza de lou&#x00E7;as, talheres, panelas e do fog&#x00E3;o, acompanhar o cl&#x00ED;nico nas visitas aos enfermos e ministrar-lhes as refei&#x00E7;&#x00F5;es, bem como higienizar os instrumentos utilizados nas cirurgias, entre muitas outras fun&#x00E7;&#x00F5;es<xref ref-type="fn" rid="NOTE23">23</xref>. Devia ser conciliadora com os empregados, atenciosa com as visitas, caridosa com os doentes pobres e respeitosa com os irm&#x00E3;os da Miseric&#x00F3;rdia<xref ref-type="fn" rid="NOTE24">24</xref>. O enfermeiro menor, entre outros encargos, era o respons&#x00E1;vel pela higieniza&#x00E7;&#x00E3;o das instala&#x00E7;&#x00F5;es e pela administra&#x00E7;&#x00E3;o dos medicamentos prescritos pelo m&#x00E9;dico ou pela enfermeira. &#x00C0; cozinheira competia preparar as refei&#x00E7;&#x00F5;es, seguindo as orienta&#x00E7;&#x00F5;es da hospitaleira, e tratar da aquisi&#x00E7;&#x00E3;o dos produtos necess&#x00E1;rios para a sua confe&#x00E7;&#x00E3;o<xref ref-type="fn" rid="NOTE25">25</xref>.  </p>

			<p>Em finais do s&#x00E9;culo XIX, a Santa Casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha passava cartas de guia aos doentes do seu hospital e residentes no concelho que, devido &#x00E0; sua patologia e com fins profil&#x00E1;ticos, necessitassem de banhos termais, ou que, pelos mesmos motivos, precisassem de receber cuidados noutras unidades hospitalares, nomeadamente nas das terras de origem<xref ref-type="fn" rid="NOTE26">26</xref>. Em todos os casos, o benefici&#x00E1;rio, para al&#x00E9;m do transporte, recebia uma esmola nunca inferior a 500 r&#x00E9;is. O hospital prestava apoio aos peregrinos e &#x00E0;queles que deslocavam para a vila de Caminha para usufru&#x00ED;rem dos banhos de mar, dando-lhes dormida nas suas instala&#x00E7;&#x00F5;es<xref ref-type="fn" rid="NOTE27">27</xref>.  </p>
		</sec>

		<sec id="S3">
			<title>3. OS DOENTES </title>

			<p>No s&#x00E9;culo XIX, Caminha era um concelho essencialmente agr&#x00ED;cola e piscat&#x00F3;rio, n&#x00E3;o sendo de estranhar que, entre os que receberam assist&#x00EA;ncia hospitalar, predominassem pessoas ligadas ao trabalho da terra e &#x00E0; faina do mar, al&#x00E9;m de gente dos of&#x00ED;cios, nomeadamente sapateiros, pedreiros e carpinteiros. </p>

			<p>Entre os internados, sobressai o n&#x00FA;mero de homens e mulheres que trabalhavam &#x00E0; jorna. O jornaleiro era um trabalhador assalariado, sem lugar fixo, sujeito &#x00E0; sazonalidade dos afazeres agr&#x00ED;colas e aos caprichos dos patr&#x00F5;es, que nem sempre se dispunham a retribuir condignamente os servi&#x00E7;os prestados<xref ref-type="fn" rid="NOTE28">28</xref> (Carasa Soto, <xref ref-type="bibr" rid="CIT10">1985</xref>, p. 172). Era elevado o n&#x00FA;mero de jornaleiras que acorria ao hospital de Caminha, na sua maioria solteiras. Muitas destas mulheres viviam sozinhas, circunst&#x00E2;ncia que muito contribuiria para a sua indig&#x00EA;ncia. Importa sublinhar que o concelho de Caminha se insere numa regi&#x00E3;o onde, na altura, se verificava uma forte corrente migrat&#x00F3;ria da popula&#x00E7;&#x00E3;o masculina, que tinha o Brasil como principal destino. Por isso, a solid&#x00E3;o n&#x00E3;o afetava apenas as mulheres solteiras ou vi&#x00FA;vas, mas igualmente as casadas, sobre as quais reca&#x00ED;a a responsabilidade pela conserva&#x00E7;&#x00E3;o e gest&#x00E3;o do patrim&#x00F3;nio familiar (Rodrigues, <xref ref-type="bibr" rid="CIT27">1995</xref>). Num quadro de pen&#x00FA;ria, que atingia sobretudo as gentes do campo, onde escasseavam o alimento, o vestu&#x00E1;rio e a limpeza, abundava o terreno f&#x00E9;rtil para a doen&#x00E7;a. </p>

			<p>Al&#x00E9;m das mulheres que se dedicavam ao trabalho agr&#x00ED;cola, o hospital recebia criadas de servir, costureiras, padeiras, entre outras. As terras de origem das servi&#x00E7;ais eram as mais variadas. Se a maioria pertencia ao concelho de Caminha, outras provinham do Porto, Braga, Penafiel, Arcos de Valdevez, Mon&#x00E7;&#x00E3;o ou da vizinha prov&#x00ED;ncia espanhola da Galiza. Enquanto as jornaleiras se destacavam pela idade avan&#x00E7;ada, a maioria das criadas eram raparigas jovens ou at&#x00E9;, em alguns casos, ainda crian&#x00E7;as. Importa referir, a este prop&#x00F3;sito, que, no momento do internamento, muitas crian&#x00E7;as davam conta do of&#x00ED;cio que j&#x00E1; exerciam: criado de servir, alfaiate, pescador, embarcadi&#x00E7;o, ou ent&#x00E3;o assumiam o estatuto de mendigos.  </p>

			<p>A comunidade piscat&#x00F3;ria, de que &#x00E9; exemplo a que existia na freguesia de Seixas, no concelho de Caminha, tamb&#x00E9;m n&#x00E3;o conseguia escapar &#x00E0; indig&#x00EA;ncia. Os pescadores aparecem mencionados como gente pobre, cuja situa&#x00E7;&#x00E3;o se agravou na sequ&#x00EA;ncia do motim que ocorreu em dezembro de 1854, no distrito de Viana do Castelo, motivado pela carestia de alimentos que ent&#x00E3;o se fez sentir<xref ref-type="fn" rid="NOTE29">29</xref>. </p>

			<p>Para al&#x00E9;m daqueles que surgem classificados como pobres, encontr&#x00E1;mos ainda doentes, sobretudo mulheres, que sobreviviam &#x00E0; custa da mendicidade. Quase todas ultrapassavam a faixa et&#x00E1;ria dos 30 anos de idade e, nos casos em que &#x00E9; disponibilizada informa&#x00E7;&#x00E3;o sobre o estado civil, a larga maioria era solteira, seguindo-se, em percentagem mais reduzida, as vi&#x00FA;vas e as casadas. Tais dados evidenciam a conex&#x00E3;o entre a solid&#x00E3;o feminina e a pobreza.  </p>

			<p>Os mendigos eram os mais pobres de todos os pobres, dispondo apenas da esmola para sobreviver. Por vezes, dirigiam-se ao hospital, n&#x00E3;o s&#x00F3; em busca de cura para os males de que padeciam, mas tamb&#x00E9;m para obterem comida, cuidados de higiene e algum conforto. Muitos deles n&#x00E3;o dispunham sequer de roupa suficiente para se resguardarem do frio e da chuva, de alimento para nutrir os corpos ou do abrigo de uma casa. Por isso, estavam mais expostos a todo o tipo de doen&#x00E7;as, que os obrigava a recorrer com frequ&#x00EA;ncia &#x00E0; assist&#x00EA;ncia hospitalar, at&#x00E9; que a morte pusesse fim ao seu calv&#x00E1;rio.  </p>

			<p>Dada a vida errante que levavam, os mendigos doentes podiam representar um perigo para a sa&#x00FA;de p&#x00FA;blica, pelo que o seu internamento era tido como recomend&#x00E1;vel. O facto de, nas fontes, aparecerem classificados como pedintes indicia que se tratava de verdadeiros pobres e n&#x00E3;o de vadios. &#x00C0;queles era atribu&#x00ED;da uma licen&#x00E7;a para mendigar, cuja validade se circunscrevia aos limites do concelho de resid&#x00EA;ncia, o que, em certa medida, condicionava os seus movimentos. Cabia ao administrador do concelho a vigil&#x00E2;ncia sobre mendigos e vagabundos. Ainda no s&#x00E9;culo XVIII, acreditava-se que os pedintes estavam entre os respons&#x00E1;veis pela propaga&#x00E7;&#x00E3;o de enfermidades, suspeita que se alargou a toda a popula&#x00E7;&#x00E3;o pobre a partir de oitocentos, com o surgimento de surtos epid&#x00E9;micos, como a c&#x00F3;lera e a febre-amarela (Relvas, <xref ref-type="bibr" rid="CIT25">2002</xref>, pp. 81-83). Da&#x00ED; que todos os seus comportamentos e h&#x00E1;bitos passassem a ser alvo da desconfian&#x00E7;a dos estratos sociais mais abastados, que apostavam na sua moraliza&#x00E7;&#x00E3;o atrav&#x00E9;s da aplica&#x00E7;&#x00E3;o do conceito de higiene nos dom&#x00ED;nios da habita&#x00E7;&#x00E3;o, do vestu&#x00E1;rio, do corpo e at&#x00E9; dos costumes.   </p>
		</sec>

		<sec id="S4">
			<title>4. AS DOEN&#x00C7;AS</title>

			<p>As priva&#x00E7;&#x00F5;es alimentares, a aus&#x00EA;ncia de limpeza e de conforto das habita&#x00E7;&#x00F5;es, o desconhecimento dos h&#x00E1;bitos de higiene privada, entre outras car&#x00EA;ncias que afetavam a maior parte da popula&#x00E7;&#x00E3;o, constituem os fatores explicativos da maioria das enfermidades diagnosticadas, sobretudo do foro respirat&#x00F3;rio, gastrointestinal e dermatol&#x00F3;gico, que obrigavam os pacientes a recorrerem ao hospital de Caminha. A <italic>tinha</italic>, por exemplo, era uma doen&#x00E7;a dermatol&#x00F3;gica que atingia principalmente as crian&#x00E7;as e que estava associada &#x00E0; falta de higiene pessoal e habitacional, um problema que continuava a atingir as popula&#x00E7;&#x00F5;es no decorrer de oitocentos e nas primeiras d&#x00E9;cadas da cent&#x00FA;ria seguinte (Ara&#x00FA;jo, <xref ref-type="bibr" rid="CIT07">2008b</xref>, pp. 135-149, pp. 141-146; Pardal, Rute <xref ref-type="bibr" rid="CIT22">2007</xref>, pp. 757-766). Ainda no in&#x00ED;cio do s&#x00E9;culo XX, a casa do Alto Minho era descrita com um espa&#x00E7;o pouco arejado e desprovido de qualquer comodidade, que n&#x00E3;o protegia os moradores do frio nem das intemp&#x00E9;ries, que albergava pessoas e animais e donde emanavam cheiros nauseabundos provocados pela acumula&#x00E7;&#x00E3;o de dejetos (Leal, <xref ref-type="bibr" rid="CIT20">2000</xref><italic>, </italic>pp. 152-153; Casc&#x00E3;o, <xref ref-type="bibr" rid="CIT12">2011</xref>, pp. 22-55, pp. 34-35). As febres, de v&#x00E1;rias origens, na maior parte das vezes indeterminadas, constavam do rol de motivos que justificavam o tratamento hospitalar. A aus&#x00EA;ncia de conhecimentos m&#x00E9;dicos mais aprofundados pode explicar a dificuldade em precisar a causa dos estados fabris, se bem que as raz&#x00F5;es mais frequentes fossem a «g&#x00E1;strica» e a «inflamat&#x00F3;ria». </p>

			<p>No registo de entrada dos doentes, raramente se apontava a patologia ou o sintoma que tinham justificado a ida ao hospital. Face &#x00E0; aus&#x00EA;ncia de institui&#x00E7;&#x00F5;es vocacionadas para o tratamento de determinadas mol&#x00E9;stias, designadamente as contagiosas, todos os enfermos, independentemente dos males de que padeciam, acabavam por recorrer aos hospitais gerais, que, por isso, acolhiam uma popula&#x00E7;&#x00E3;o muito heterog&#x00E9;nea. Esta circunst&#x00E2;ncia colocava em risco a sa&#x00FA;de p&#x00FA;blica, al&#x00E9;m de tornar o ambiente hospitalar prop&#x00ED;cio &#x00E0; propaga&#x00E7;&#x00E3;o de doen&#x00E7;as. Conseguimos apurar o ingresso de doentes portadores de mol&#x00E9;stias end&#x00E9;micas, como a s&#x00ED;filis, a var&#x00ED;ola e a j&#x00E1; referida t&#x00ED;sica. Apesar de esta &#x00FA;ltima ter atingido grandes propor&#x00E7;&#x00F5;es na cent&#x00FA;ria de oitocentos, foi necess&#x00E1;rio esperar pelo s&#x00E9;culo XX para que a regi&#x00E3;o dispusesse de um estabelecimento destinado ao tratamento da tuberculose. De facto, em 1929, em Viana do Castelo, abriu portas o Hospital Padre Lu&#x00ED;s Faria, para doentes com tuberculose pulmonar. Anos antes, mas apenas na primeira d&#x00E9;cada de novecentos, entrou em funcionamento um sanat&#x00F3;rio mar&#x00ED;timo, em Vila Praia de Âncora, no concelho de Caminha, mas direcionado para o tratamento da tuberculose &#x00F3;ssea. Assim, apesar das limita&#x00E7;&#x00F5;es de espa&#x00E7;o, o hospital de Caminha, como outras institui&#x00E7;&#x00F5;es cong&#x00E9;neres, via-se compelido a acolher todo o tipo de pacientes. </p>

			<p>A inexist&#x00EA;ncia de hospitais vocacionados para o acolhimento de doentes mentais nesta regi&#x00E3;o de Portugal tamb&#x00E9;m explica o seu internamento nos hospitais gerais, bem como a sua perman&#x00EA;ncia no espa&#x00E7;o dom&#x00E9;stico ou o seu envio para os c&#x00E1;rceres. A cria&#x00E7;&#x00E3;o do Hospital de Rilhafoles em Lisboa, em 1848, e, mais tarde, do Hospital Conde Ferreira, na cidade do Porto, n&#x00E3;o resolveu o problema da assist&#x00EA;ncia a estes doentes, uma vez que, desde a sua abertura, estas institui&#x00E7;&#x00F5;es debateram-se com m&#x00FA;ltiplas dificuldades, em particular a sobrelota&#x00E7;&#x00E3;o. Nos hospitais gerais, os doentes mentais decerto que usufru&#x00ED;am de um conforto maior do que o proporcionado pelos c&#x00E1;rceres. Todavia, a imprepara&#x00E7;&#x00E3;o dos cl&#x00ED;nicos para lidarem com a enfermidade, as restri&#x00E7;&#x00F5;es do espa&#x00E7;o e o estigma que os perseguia, entre outros condicionalismos, n&#x00E3;o ajudavam a melhorar o seu estado<xref ref-type="fn" rid="NOTE30">30</xref>. Importa referir que o Hospital de Nossa Senhora da Visita&#x00E7;&#x00E3;o, segundo o Regulamento Geral de 1877, n&#x00E3;o permitia a admiss&#x00E3;o de doentes mentais, a n&#x00E3;o ser que fosse solicitada por uma autoridade administrativa, que, no entanto, teria de assumir o compromisso de que a sua estadia seria breve e que, posteriormente, lhes passaria guia para serem transferidos para outros estabelecimentos. No s&#x00E9;culo XIX, os alienados eram <italic>persona non grata</italic> nos hospitais, situa&#x00E7;&#x00E3;o resultante da incompreens&#x00E3;o que persistia relativamente &#x00E0; doen&#x00E7;a mental e aos comportamentos a ela associados. A recusa e os condicionalismos impostos ao seu ingresso relacionavam-se com a necessidade de os hospitais precaverem o pessoal e as estruturas f&#x00ED;sicas das arremetidas intempestivas desses enfermos. </p>

			<p>Dada a inexist&#x00EA;ncia de enfermarias nas cadeias, os presos, quando acometidos por doen&#x00E7;as mais graves, tinham que ser transportados para as institui&#x00E7;&#x00F5;es hospitalares. Nessas ocasi&#x00F5;es, estes espa&#x00E7;os tinham que refor&#x00E7;ar as condi&#x00E7;&#x00F5;es de seguran&#x00E7;a, dado que a estadia no hospital podia transformar-se numa oportunidade de fuga. Por isso, enquanto durasse o seu internamento, um guarda acompanhava permanentemente esses reclusos (Esteves, <xref ref-type="bibr" rid="CIT15">2010</xref>, p. 672). Entre 1840 e 1878, o hospital de Caminha acolheu quinze detidos do estabelecimento prisional da vila. Por&#x00E9;m, muitos outros eram tratados dentro das paredes do c&#x00E1;rcere<xref ref-type="fn" rid="NOTE31">31</xref>. Atendendo &#x00E0; localiza&#x00E7;&#x00E3;o de muitas cadeias comarc&#x00E3;s na malha central dos povoados e do perigo que representavam para a sa&#x00FA;de p&#x00FA;blica, foi decidido que, de acordo com a portaria de 17 de maio de 1850, em todos os concelhos onde houvesse m&#x00E9;dico municipal, este seria respons&#x00E1;vel pelas visitas &#x00E0; pris&#x00E3;o, que deveriam realizar-se duas vezes por semana, em dias incertos, e, se n&#x00E3;o houvesse m&#x00E9;dico municipal, essa fun&#x00E7;&#x00E3;o caberia ao cirurgi&#x00E3;o da C&#x00E2;mara. No entanto, o facto de os facultativos terem essa obriga&#x00E7;&#x00E3;o n&#x00E3;o significava que a cumprissem. Aquando da visita, o m&#x00E9;dico devia prescrever o tratamento adequado aos presos atacados por mol&#x00E9;stias que podiam ser curadas dentro da cadeia, indicar aqueles que deviam ser transferidos para os hospitais e anotar as medidas higi&#x00E9;nicas indispens&#x00E1;veis, que seriam requeridas junto do delegado do procurador r&#x00E9;gio.  </p>

			<p>Uma doen&#x00E7;a que se manifestou em todo o pa&#x00ED;s na d&#x00E9;cada de 60 do s&#x00E9;culo XIX, cujas propor&#x00E7;&#x00F5;es ainda n&#x00E3;o foram devidamente averiguadas no Alto Minho, foi a febre tifoide. No hospital de Caminha, foi registado um caso (Roque, <xref ref-type="bibr" rid="CIT28">2000</xref>, pp. 104-136). Tratava-se de uma enfermidade que, ao tempo, j&#x00E1; se associava &#x00E0; insufici&#x00EA;ncia alimentar, &#x00E0; aus&#x00EA;ncia de salubridade nos espa&#x00E7;os dom&#x00E9;sticos e de cuidados de higiene p&#x00FA;blica e privada (Ujvari, <xref ref-type="bibr" rid="CIT30">2003</xref>, pp. 71-77). Esta liga&#x00E7;&#x00E3;o tem fundamento, uma vez que o tifo resultava de um agente infecioso que se instalava no organismo do piolho, transmitindo-se ao ser humano atrav&#x00E9;s da sua picada. Dada a quase inexist&#x00EA;ncia de h&#x00E1;bitos de higiene pessoal, a presen&#x00E7;a de piolhos era comum nas cabe&#x00E7;as e nos corpos sobretudo das classes mais desfavorecidas, o que poderia provocar verdadeiros surtos epid&#x00E9;micos. Ali&#x00E1;s, os viajantes estrangeiros que visitavam Portugal nos s&#x00E9;culos XVIII, XIX e in&#x00ED;cios do s&#x00E9;culo XX, espantavam-se com um dos costumes que ocupava uma parte do tempo do povo luso, que consistia precisamente em catar piolhos (Vicente, <xref ref-type="bibr" rid="CIT29">2001</xref>, p. 174). </p>

			<p>Outra epidemia que marcou o Portugal oitocentista e provocou v&#x00ED;timas em Caminha, desde a d&#x00E9;cada de 60, foi a var&#x00ED;ola. Esta enfermidade, vulgarmente conhecida por «bexigas», era bastante frequente nesta &#x00E9;poca. Ainda no s&#x00E9;culo XIX, assumia propor&#x00E7;&#x00F5;es de aut&#x00EA;ntico flagelo, atingindo sobretudo as crian&#x00E7;as A partir dos registos hospitalares, descobrimos dois casos, um deles mortal<xref ref-type="fn" rid="NOTE32">32</xref>. </p>

			<p>Sobressai, igualmente, a presen&#x00E7;a de um conjunto de sintomas associados &#x00E0; subalimenta&#x00E7;&#x00E3;o, como, por exemplo, a fome e a <italic>extenua&#x00E7;&#x00E3;o de for&#x00E7;as</italic>, e que, apesar de n&#x00E3;o serem caracter&#x00ED;sticos de uma doen&#x00E7;a em particular, fragilizavam as pessoas. Por essa raz&#x00E3;o, foram inclu&#x00ED;dos no referido quadro, uma vez que, se n&#x00E3;o fossem devidamente tratados, designadamente atrav&#x00E9;s do refor&#x00E7;o da dieta alimentar, podiam provocar diversas enfermidades e at&#x00E9; mesmo a norte (Resende, <xref ref-type="bibr" rid="CIT26">2009</xref>, pp. 67-92, pp. 78-82). No entanto, aqueles ind&#x00ED;cios tamb&#x00E9;m podiam ser manifesta&#x00E7;&#x00F5;es de mol&#x00E9;stias ainda n&#x00E3;o devidamente diagnosticadas, como, por exemplo, de anemia. Todavia, os m&#x00E9;dicos interpretavam-nos como doen&#x00E7;as, que procuravam tratar unicamente com o refor&#x00E7;o da alimenta&#x00E7;&#x00E3;o.  </p>
		</sec>

		<sec id="S5">
			<title>5. CONCLUSÃO</title>

			<p>Num tempo em que as popula&#x00E7;&#x00F5;es estavam expostas a todo o tipo de enfermidades, muitas delas originadas e agravadas por car&#x00EA;ncias diversas, designadamente a aus&#x00EA;ncia de uma alimenta&#x00E7;&#x00E3;o adequada, de h&#x00E1;bitos de higiene, de lares com um m&#x00ED;nimo de limpeza e de conforto, o hospital de Nossa Senhora da Visita&#x00E7;&#x00E3;o, de Caminha, servia de porto de abrigo para aliviar as doen&#x00E7;as de que padeciam sobretudo os mais desfavorecidos.  </p>


			<p>Analisado o espa&#x00E7;o, os utentes, mais ou menos tempor&#x00E1;rios, e cruzando estes dados com as regras referentes ao hospital de Nossa Senhora da Visita&#x00E7;&#x00E3;o, constantes do <italic>Regulamento Geral da Administra&#x00E7;&#x00E3;o da Santa Casa da Miseric&#x00F3;rdia</italic>, datado de 1877, verificamos que, a par da preocupa&#x00E7;&#x00E3;o em proporcionar aos doentes a cura para os males que os afligiam, havia tamb&#x00E9;m uma clara inten&#x00E7;&#x00E3;o de levar aquela institui&#x00E7;&#x00E3;o a adotar e cumprir os princ&#x00ED;pios defendidos pelo discurso higienista da &#x00E9;poca, cuja aplica&#x00E7;&#x00E3;o, em Portugal, se tornou mais urgente na sequ&#x00EA;ncia dos surtos epid&#x00E9;micos que marcaram a cent&#x00FA;ria de oitocentos.</p>
	
		</sec>
		
	</body>


	
	
	<back>
		
		<sec id="notas">
			<title>NOTAS</title>
		
			<fn-group>
				<fn id="NOTE01"><label>1</label>
					<p>Algumas das mat&#x00E9;rias aqui apresentadas j&#x00E1; foram objeto de an&#x00E1;lise num outro trabalho que realiz&#x00E1;mos sobre a mesma institui&#x00E7;&#x00E3;o.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE02"><label>2</label>
					<p>Arquivo Distrital de Viana do Castelo (doravante AHDV), <italic>Estatutos da Santa Real Casa de Caminha</italic>, 7.36.3.3.26.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE03"><label>3</label>
					<p>Em Ponte de Lima, a Santa Casa tamb&#x00E9;m ajudava os doentes que n&#x00E3;o podiam ou n&#x00E3;o queriam ser internados no hospital, enviando-lhes alimento, rem&#x00E9;dios ou ainda o m&#x00E9;dico ou cirurgi&#x00E3;o da institui&#x00E7;&#x00E3;o (Ara&#x00FA;jo, <xref ref-type="bibr" rid="CIT05">2006</xref>, pp. 481-492). O mesmo se verificava no Hospital Real do Esp&#x00ED;rito Santo de Portel, estudado pela mesma autora (Ara&#x00FA;jo, <xref ref-type="bibr" rid="CIT03">2003</xref>, pp. 341-498). Em Mon&#x00E7;&#x00E3;o, a constru&#x00E7;&#x00E3;o do hospital da Santa Casa s&#x00F3; se concretizou em 1803. No entanto, a institui&#x00E7;&#x00E3;o prestava aux&#x00ED;lio aos doentes, cuidando da sua cura, atrav&#x00E9;s dos servi&#x00E7;os que prestava ao domic&#x00ED;lio (Ara&#x00FA;jo, <xref ref-type="bibr" rid="CIT06">2008a</xref>, p. 305). Tamb&#x00E9;m a Miseric&#x00F3;rdia de Ponte da Barca prestou este tipo de servi&#x00E7;o (Pereira, <xref ref-type="bibr" rid="CIT23">2008</xref>, p. 288).</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE04"><label>4</label>
					<p>Note-se que para o per&#x00ED;odo compreendido entre 1856 e 1862 n&#x00E3;o dispomos de fontes arquiv&#x00ED;sticas. Desconhecemos as raz&#x00F5;es que justificam a sua inexist&#x00EA;ncia.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE05"><label>5</label>
					<p>ADVC, Santa Casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha, <italic>Registo da entrada de doentes (1836-1878),</italic> n.º 7.35.4.10.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE06"><label>6</label>
					<p>ADVC, Santa Casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha, <italic>Registo da entrada de doentes (1836-1878),</italic> n.º 7.35.4.10, fl. 62.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE07"><label>7</label>
					<p>ADVC, Santa Casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha, <italic>Registo da entrada de doentes (1836-1878),</italic> n.º 7.35.4.10.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE08"><label>8</label>
					<p>ADVC, Santa casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha, <italic>Registo da entrada de doentes (1836-1878),</italic> n.º 7.35.4.10, fl. 46v.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE09"><label>9</label>
					<p>ADVC, Santa Casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha, <italic>Registo da entrada de doentes (1836-1878),</italic> n.º 7.35.4.10.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE10"><label>10</label>
					<p>ADVC, <italic>Estatutos da Santa Real Casa de Caminha</italic>, 7.36.3.3.26.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE11"><label>11</label>
					<p>ADVC, Santa Casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha, <italic>Regulamento Geral da administra&#x00E7;&#x00E3;o da Santa casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha</italic>, n.º 7.36.3.3-22, fl. 16v.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE12"><label>12</label>
					<p>ADVC, Santa Casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha, <italic>Regulamento Geral da administra&#x00E7;&#x00E3;o da Santa casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha</italic>, n.º 7.36.3.3-22, fl. 14.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE13"><label>13</label>
					<p>ADVC, Santa Casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha, <italic>Regulamento Geral da administra&#x00E7;&#x00E3;o da Santa casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha</italic>, n.º 7.36.3.3-22.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE14"><label>14</label>
					<p>ADVC, Santa Casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha, <italic>Regulamento Geral da administra&#x00E7;&#x00E3;o da Santa casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha</italic>, n.º 7.36.3.3-22, fl. 17v.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE15"><label>15</label>
					<p>ADVC, Santa Casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha,<italic> Regulamento Geral da administra&#x00E7;&#x00E3;o da Santa casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha</italic>, n.º 7.36.3.3-22, fl. 18.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE16"><label>16</label>
					<p>ADVC, Santa Casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha, <italic>Regulamento Geral da administra&#x00E7;&#x00E3;o da Santa casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha</italic>, n.º 7.36.3.3-22, fl. 15.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE17"><label>17</label>
					<p>ADVC, Santa Casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha,<italic> Regulamento Geral da administra&#x00E7;&#x00E3;o da Santa casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha</italic>, n.º 7.36.3.3-22, fl. 15.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE18"><label>18</label>
					<p>ADVC, Santa Casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha,<italic> Regulamento Geral da administra&#x00E7;&#x00E3;o da Santa casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha</italic>, n.º 7.36.3.3-22 fl. 15 v.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE19"><label>19</label>
					<p>ADVC, Santa Casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha, <italic>Regulamento Geral da administra&#x00E7;&#x00E3;o da Santa casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha</italic>, n.º 7.36.3.3-22, fl. 17.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE20"><label>20</label>
					<p>ADVC, Santa Casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha, <italic>Regulamento Geral da administra&#x00E7;&#x00E3;o da Santa casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha</italic>, n.º 7.36.3.3-22, fl. 15v.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE21"><label>21</label>
					<p>Quando o hospital n&#x00E3;o dispunha de farm&#x00E1;cia, os rem&#x00E9;dios eram preparados numa botica e, posteriormente, transportados para o espa&#x00E7;o hospitalar.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE22"><label>22</label>
					<p>ADVC, Santa Casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha, <italic>Regulamento Geral da administra&#x00E7;&#x00E3;o da Santa casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha</italic>, n.º 7.36.3.3-22, fl. 18v.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE23"><label>23</label>
					<p>ADVC, Santa Casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha, <italic>Regulamento Geral da administra&#x00E7;&#x00E3;o da Santa casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha</italic>, n.º 7.36.3.3-22, fl. 20.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE24"><label>24</label>
					<p>ADVC, Santa Casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha, <italic>Regulamento Geral da administra&#x00E7;&#x00E3;o da Santa casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha</italic>, n.º 7.36.3.3-22, fl. 20.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE25"><label>25</label>
					<p>ADVC, Santa Casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha, <italic>Regulamento Geral da administra&#x00E7;&#x00E3;o da Santa casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha</italic>, n.º 7.36.3.3-22, fl. 21.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE26"><label>26</label>
					<p>ADVC, Santa Casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha, <italic>Regulamento Geral da administra&#x00E7;&#x00E3;o da Santa casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha</italic>, n.º 7.36.3.3-22, fl. 12.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE27"><label>27</label>
					<p>ADVC, Santa Casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha, <italic>Regulamento Geral da administra&#x00E7;&#x00E3;o da Santa casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha</italic>, n.º 7.36.3.3-22, fl. 12. </p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE28"><label>28</label>
					<p>No hospital de Cabeceiras de Basto, entre os finais do s&#x00E9;culo XIX e os prim&#x00F3;rdios do s&#x00E9;culo XX, predominavam, entre a clientela hospitalar, os jornaleiros (Ferraz, <xref ref-type="bibr" rid="CIT18">2008</xref>, pp. 237-259, pp. 238-240). O mesmo se verificava no hospital de Burgos (Carasa Soto, <xref ref-type="bibr" rid="CIT11">1987</xref>, pp. 218-219).</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE29"><label>29</label>
					<p>ADVC, <italic>Confidencial geral – de outubro de 1848 a outubro de 1855</italic>, n.º 1.9.3.29, n&#x00E3;o paginado.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE30"><label>30</label>
					<p>ADVC, Santa Casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha, <italic>Registo da entrada de doentes (1836-1878)</italic>, n.º 7.35.4.10, fl. 49v.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE31"><label>31</label>
					<p>ADVC, Santa Casa da Miseric&#x00F3;rdia de Viana do Castelo<italic>, Registo da entrada de doentes (1836-1878),</italic> n.º 7.35.4.10.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE32"><label>32</label>
					<p>ADVC, Santa Casa da Miseric&#x00F3;rdia de Caminha, <italic>Registo da entrada de doentes (1836-1878)</italic>, n.º 7.35.4.10, fl. 44, 42.</p>
				</fn>
			</fn-group>
		</sec>
				
		<ref-list>
			<title>BIBLIOGRAFIA</title>


			<ref id="CIT01">
			<element-citation publication-type="book">
			  <person-group person-group-type="author">
				  <name>
					  <surname>Alves</surname>
					  <given-names>Jorge Fernandes</given-names>	  
				  </name>
			  </person-group>
			  <year>2002</year>
			  <chapter-title>Imigra&#x00E7;&#x00E3;o de galegos no Norte de Portugal (1500-1900)</chapter-title>
			  <person-group person-group-type="coordinator">
				  <name>
					  <surname>Eiras Roel</surname>
					  <given-names>Antonio</given-names>	  
				  </name>
				  <name>
					  <surname>Gonz&#x00E1;lez Lopo</surname>
					  <given-names>Domingo</given-names>	  
				  </name>				  
			  </person-group>
			  <source>Movilidad e migr&#x00E1;cions internas na Europa latina</source>
			  <publisher-loc>Santiago de Compostela</publisher-loc>
			  <publisher-name>Unesco</publisher-name>
			  <fpage>117</fpage>
			  <lpage>126</lpage>
			</element-citation>
			</ref>

			<ref id="CIT02">
			<element-citation publication-type="book">
			  <person-group person-group-type="author">
				  <name>
					  <surname>Ara&#x00FA;jo</surname>
					  <given-names>Maria Marta Lobo de</given-names>	  
				  </name>
			  </person-group>
			  <year>2000</year>
			  <source>Dar aos pobres e emprestar a Deus: as Miseric&#x00F3;rdias de Vila Vi&#x00E7;osa e Ponte de Lima (s&#x00E9;culos XVI-XVIII)</source>
			  <publisher-loc>Barcelos</publisher-loc>
			  <publisher-name>Santa Casa da Miseric&#x00F3;rdia de Vila Vi&#x00E7;osa e Ponte de Lima</publisher-name>
			</element-citation>
			</ref>

			<ref id="CIT03">
			<element-citation publication-type="journal">
			  <person-group person-group-type="author">
				  <name>
					  <surname>Ara&#x00FA;jo</surname>
					  <given-names>Maria Marta Lobo de</given-names>	  
				  </name>
			  </person-group>
			  <year>2003</year>
			  <article-title>O hospital do Esp&#x00ED;rito Santo de Portel na &#x00C9;poca Moderna</article-title>
			  <source>Cadernos do Noroeste, S&#x00E9;rie Hist&#x00F3;ria 3</source>
			  <volume>20</volume>
			  <issue>1-2</issue>
			  <fpage>341</fpage>
			  <lpage>498</lpage>
			</element-citation>
			</ref>

			<ref id="CIT04">
			<element-citation publication-type="book">
			  <person-group person-group-type="author">
				  <name>
					  <surname>Ara&#x00FA;jo</surname>
					  <given-names>Maria Marta Lobo de</given-names>	  
				  </name>
			  </person-group>
			  <year>2005</year>
			  <chapter-title>Miseric&#x00F3;rdia de Caminha</chapter-title>
			  <person-group person-group-type="coordinator">
				  <name>
					  <surname>Capela</surname>
					  <given-names>Jos&#x00E9; Viriato</given-names>	  
				  </name>
			  </person-group>
			  <source>As freguesias do distrito de Viana do Castelo nas Mem&#x00F3;rias Paroquiais de 1758. Alto Minho: Mem&#x00F3;ria, Hist&#x00F3;ria e Patrim&#x00F3;nio</source>
			  <publisher-loc>Braga</publisher-loc>
			  <publisher-name>Casa Museu de Mon&#x00E7;&#x00E3;o, Universidade do Minho</publisher-name>
			  <fpage>668</fpage>
			  <lpage>669</lpage>
			</element-citation>
			</ref>

			<ref id="CIT05">
			<element-citation publication-type="book">
			  <person-group person-group-type="author">
				  <name>
					  <surname>Ara&#x00FA;jo</surname>
					  <given-names>Maria Marta Lobo de</given-names>	  
				  </name>
			  </person-group>
			  <year>2006</year>
			  <chapter-title>Os hospitais de Ponte de Lima na era pr&#x00E9;-industrial</chapter-title>
			  <source>Separata do livro Atas do s&#x00E9;culo XVIII Semin&#x00E1;rio Internacional sobre Participa&#x00E7;&#x00E3;o, Sa&#x00FA;de e Solidariedade – Riscos e Desafios</source>
			  <publisher-loc>Braga</publisher-loc>
			  <publisher-name>ICS</publisher-name>
			  <fpage>481</fpage>
			  <lpage>492</lpage>
			</element-citation>
			</ref>

			<ref id="CIT06">
			<element-citation publication-type="book">
			  <person-group person-group-type="author">
				  <name>
					  <surname>Ara&#x00FA;jo</surname>
					  <given-names>Maria Marta Lobo de</given-names>	  
				  </name>
			  </person-group>
			  <year>2008a</year>
			  <source>A Miseric&#x00F3;rdia de Mon&#x00E7;&#x00E3;o: fronteira, guerras e caridade (1561-1810)</source>
			  <publisher-loc>Braga</publisher-loc>
			  <publisher-name>Miseric&#x00F3;rdia de Mon&#x00E7;&#x00E3;o</publisher-name>
			</element-citation>
			</ref>

			<ref id="CIT07">
			<element-citation publication-type="book">
			  <person-group person-group-type="author">
				  <name>
					  <surname>Ara&#x00FA;jo</surname>
					  <given-names>Maria Marta Lobo de</given-names>	  
				  </name>
			  </person-group>
			  <year>2008b</year>
			  <chapter-title>Pequenos e pobres: a assist&#x00EA;ncia nas Miseric&#x00F3;rdias portuguesas da Idade Moderna</chapter-title>
			  <person-group person-group-type="coordinator">
				  <name>
					  <surname>Ara&#x00FA;jo</surname>
					  <given-names>Maria Marta Lobo de</given-names>	  
				  </name>			  
				  <name>
					  <surname>Ferreira</surname>
					  <given-names>Maria de F&#x00E1;tima</given-names>	  
				  </name>
			  </person-group>
			  <source>A inf&#x00E2;ncia no universo assistencial da Pen&#x00ED;nsula Ib&#x00E9;rica (s&#x00E9;cs. XVI-XIX)</source>
			  <publisher-loc>Braga</publisher-loc>
			  <publisher-name>Instituto de Ci&#x00EA;ncias Sociais</publisher-name>
			  <fpage>135</fpage>
			  <lpage>149</lpage>
			</element-citation>
			</ref>

			<ref id="CIT08">
			<element-citation publication-type="book">
			  <person-group person-group-type="author">
				  <name>
					  <surname>Ara&#x00FA;jo</surname>
					  <given-names>Maria Marta Lobo de</given-names>	  
				  </name>			  
			  </person-group>
			  <year>2010</year>
			  <source>A Miseric&#x00F3;rdia de Vila Vi&#x00E7;osa de finais do Antigo Regime &#x00E0; Rep&#x00FA;blica</source>
			  <publisher-loc>Braga</publisher-loc>
			  <publisher-name>Santa Casa da Miseric&#x00F3;rdia de Vila Vi&#x00E7;osa</publisher-name>
			</element-citation>
			</ref>

			<ref id="CIT09">
			<element-citation publication-type="journal">
			  <person-group person-group-type="author">
				  <name>
					  <surname>Ara&#x00FA;jo</surname>
					  <given-names>Maria Marta Lobo de</given-names>	  
				  </name>			  
				  <name>
					  <surname>Esteves</surname>
					  <given-names>Alexandra</given-names>	  
				  </name>
			  </person-group>
			  <year>2010</year>
			  <article-title>Healing the Body and Saving the Soul in the Portuguese Hospitals of the Early Modern Age</article-title>
			  <source>Hygiea Internationalis: An Interdisciplinary Journal for the History of Public Health</source>
			  <volume>9</volume>
			  <issue>1</issue>
			  <fpage>35</fpage>
			  <lpage>52</lpage>
			</element-citation>
			</ref>

			<ref id="CIT10">
			<element-citation publication-type="book">
			  <person-group person-group-type="author">
				  <name>
					  <surname>Carasa Soto</surname>
					  <given-names>Pedro</given-names>	  
				  </name>
			  </person-group>
			  <year>1985</year>
			  <source>El sistema hospitalario espa&#x00F1;ol en el siglo XIX. De la asistencia ben&#x00E9;fica al modelo sanit&#x00E1;rio atual</source>
			  <publisher-name>Universidad de Valladolid, Caja de Ahorros y Monte de Piedad de Salamanca</publisher-name>
			</element-citation>
			</ref>

			<ref id="CIT11">
			<element-citation publication-type="book">
			  <person-group person-group-type="author">
				  <name>
					  <surname>Carasa Soto</surname>
					  <given-names>Pedro</given-names>	  
				  </name>
			  </person-group>
			  <year>1987</year>
			  <source>Pauperismo y Revolucion burguesa (Burgos 1750-1900)</source>
			  <publisher-name>Universidad de Valladolid</publisher-name>
			</element-citation>
			</ref>

			<ref id="CIT12">
			<element-citation publication-type="book">
			  <person-group person-group-type="author">
				  <name>
					  <surname>Casc&#x00E3;o</surname>
					  <given-names>Rui</given-names>	  
				  </name>
			  </person-group>
			  <year>2011</year>
			  <chapter-title>Modos de habitar</chapter-title>
			  <person-group person-group-type="editor">
				  <name>
					  <surname>Vaquinhas</surname>
					  <given-names>Irene</given-names>	  
				  </name>
			  </person-group>
			  <source>Hist&#x00F3;ria da Vida Privada em Portugal. A &#x00E9;poca contempor&#x00E2;nea</source>
			  <publisher-loc>Lisboa</publisher-loc>
			  <publisher-name>C&#x00ED;rculo de Leitores</publisher-name>
			  <fpage>22</fpage>
			  <lpage>55</lpage>
			</element-citation>
			</ref>

			<ref id="CIT13">
			<element-citation publication-type="book">
			  <person-group person-group-type="author">
				  <name>
					  <surname>Castro</surname>
					  <given-names>Maria de F&#x00E1;tima</given-names>	  
				  </name>
			  </person-group>
			  <year>2008</year>
			  <source>A Miseric&#x00F3;rdia de Braga. A Assist&#x00EA;ncia no Hospital de S. Marcos, vol. IV</source>
			  <publisher-name>Santa Casa da Miseric&#x00F3;rdia de Braga</publisher-name>
			</element-citation>
			</ref>

			<ref id="CIT14">
			<element-citation publication-type="book">
			  <person-group person-group-type="author">
				  <name>
					  <surname>Dur&#x00E3;es</surname>
					  <given-names>Margarida</given-names>	  
				  </name>
			  </person-group>
			  <year>2006</year>
			  <chapter-title>As mulheres estrangeiras no noroeste de Portugal: imigra&#x00E7;&#x00F5;es femininas galegas do ponto de vista portugu&#x00EA;s (S&#x00E9;cs. XIX-XX)</chapter-title>
			  <person-group person-group-type="editor">
				  <name>
					  <surname>H&#x00E9;rnandez Borge</surname>
					  <given-names>Julio</given-names>	  
				  </name>
				  <name>
					  <surname>Gonz&#x00E1;lez Lopo</surname>
					  <given-names>Domingo L.</given-names>	  
				  </name>				  
			  </person-group>
			  <source>Atas del Col&#x00F3;quio Internacional C&#x00E1;tedra Unesco 226 sobre Migraci&#x00F3;ns</source>
			  <publisher-loc>Santiago de Compostela</publisher-loc>
			  <publisher-name>Universidade de Santiago de Compostela Publicaci&#x00F3;ns</publisher-name>
			  <fpage>133</fpage>
			  <lpage>150</lpage>
			</element-citation>
			</ref>

			<ref id="CIT15">
			<element-citation publication-type="thesis">
			  <person-group person-group-type="author">
				  <name>
					  <surname>Esteves</surname>
					  <given-names>Alexandra Patr&#x00ED;cia Lopes</given-names>	  
				  </name>
			  </person-group>
			  <year>2010</year>
			  <source>Entre o crime e a cadeia: Viol&#x00EA;ncia e marginalidade no Alto Minho (1732-1870)</source>
			  <publisher-loc>Braga</publisher-loc>
			  <publisher-name>Universidade do Minho</publisher-name>
			  <comment>Tese de doutoramento policopiada</comment>
			</element-citation>
			</ref>

			<ref id="CIT16">
			<element-citation publication-type="book">
			  <person-group person-group-type="author">
				  <name>
					  <surname>Feij&#x00F3;</surname>
					  <given-names>Rui Gra&#x00E7;a</given-names>	  
				  </name>
			  </person-group>
			  <year>1992</year>
			  <source>Liberalismo e Transforma&#x00E7;&#x00E3;o Social. A Regi&#x00E3;o de Viana do Antigo Regime a finais do Liberalismo</source>
			  <publisher-loc>Lisboa</publisher-loc>
			  <publisher-name>Fragmentos</publisher-name>
			</element-citation>
			</ref>

			<ref id="CIT17">
			<element-citation publication-type="conf-proc">
			  <person-group person-group-type="author">
				  <name>
					  <surname>Fern&#x00E1;ndez Cortizo</surname>
					  <given-names>Camilo</given-names>	  
				  </name>
			  </person-group>
			  <year>2006</year>
			  <article-title>La emigraci&#x00F3;n gallega a las prov&#x00ED;ncias portuguesas del Mi&#x00F1;o y de Tr&#x00E1;s-os-Montes y Alto Duero durante el siglo XVIII y la primera mitad del XIX</article-title>
			  <source>Congresso Internacional de Hist&#x00F3;ria. Territ&#x00F3;rios, Culturas e Poderes. Atas, vol. I</source>
			  <publisher-loc>Braga</publisher-loc>
			  <publisher-name>N&#x00FA;cleo de Estudos Hist&#x00F3;ricos, Universidade do Minho</publisher-name>
			  <fpage>41</fpage>
			  <lpage>58</lpage>
			</element-citation>
			</ref>

			<ref id="CIT18">
			<element-citation publication-type="journal">
			  <person-group person-group-type="author">
				  <name>
					  <surname>Ferraz</surname>
					  <given-names>Norberto Tiago Gon&#x00E7;alvez</given-names>	  
				  </name>
			  </person-group>
			  <year>2008</year>
			  <article-title>O tratamento de doentes no hospital de Cabeceiras de Basto</article-title>
			  <source>Estudos Human&#x00ED;sticos. Hist&#x00F3;ria</source>
			  <volume>7</volume>
			  <fpage>237</fpage>
			  <lpage>259</lpage>
			</element-citation>
			</ref>

			<ref id="CIT19">
			<element-citation publication-type="thesis">
			  <person-group person-group-type="author">
				  <name>
					  <surname>G&#x00F3;mez Rodr&#x00ED;guez</surname>
					  <given-names>Maria Soledad</given-names>	  
				  </name>
			  </person-group>
			  <year>1991</year>
			  <source>El Hospital de la Misericordia de Toledo en el siglo XIX</source>
			  <publisher-name>Universidad Complutense de Madrid</publisher-name>
			  <fpage>292</fpage>
			  <lpage>305</lpage>			  
			  <comment>Tese de doutoramento policopiada</comment>
			</element-citation>
			</ref>

			<ref id="CIT20">
			<element-citation publication-type="book">
			  <person-group person-group-type="author">
				  <name>
					  <surname>Leal</surname>
					  <given-names>Jo&#x00E3;o</given-names>	  
				  </name>
			  </person-group>
			  <year>2000</year>
			  <source>Etnografias Portuguesas (1870-1970). Cultura Popular e Identidade Nacional</source>
			  <publisher-loc>Lisboa</publisher-loc>
			  <publisher-name>Publica&#x00E7;&#x00F5;es Dom Quixote</publisher-name>
			</element-citation>
			</ref>

			<ref id="CIT21">
			<element-citation publication-type="book">
			  <person-group person-group-type="author">
				  <name>
					  <surname>Lopes</surname>
					  <given-names>Maria Ant&#x00F3;nia</given-names>	  
				  </name>
			  </person-group>
			  <year>2000</year>
			  <source>Pobreza, Assist&#x00EA;ncia e Controle Social. Coimbra (1750-1850), vol. 1</source>
			  <publisher-loc>Viseu</publisher-loc>
			  <publisher-name>Palimage Editores</publisher-name>
			</element-citation>
			</ref>

			<ref id="CIT22">
			<element-citation publication-type="conf-proc">
			  <person-group person-group-type="author">
				  <name>
					  <surname>Pardal</surname>
					  <given-names>Rute</given-names>	  
				  </name>
			  </person-group>
			  <year>2007</year>
			  <article-title>A Cria&#x00E7;&#x00E3;o dos filhos dos pobres e dos tinhosos: um aspeto esquecido da assist&#x00EA;ncia da Miseric&#x00F3;rdia de &#x00C9;vora no s&#x00E9;culo XVIII</article-title>
			  <source>Congresso Internacional de Hist&#x00F3;ria. Territ&#x00F3;rios, Culturas e Poderes, Atas, vol. II</source>
			  <publisher-loc>Braga</publisher-loc>
			  <publisher-name>N&#x00FA;cleo de Estudos Hist&#x00F3;ricos, Universidade do Minho</publisher-name>
			  <fpage>757</fpage>
			  <lpage>766</lpage>
			</element-citation>
			</ref>

			<ref id="CIT23">
			<element-citation publication-type="book">
			  <person-group person-group-type="author">
				  <name>
					  <surname>Pereira</surname>
					  <given-names>Maria das Dores de Sousa</given-names>	  
				  </name>
			  </person-group>
			  <year>2008</year>
			  <source>Entre Ricos e Pobres:a atua&#x00E7;&#x00E3;o da Santa Casa da Miseric&#x00F3;rdia de Ponte da Barca (1630-1800)</source>
			  <publisher-loc>Braga</publisher-loc>
			  <publisher-name>Santa Casa da Miseric&#x00F3;rdia de Ponte da Barca</publisher-name>
			</element-citation>
			</ref>

			<ref id="CIT24">
			<element-citation publication-type="book">
			  <person-group person-group-type="author">
				  <name>
					  <surname>Ramos Mart&#x00ED;nez</surname>
					  <given-names>Jes&#x00FA;s</given-names>	  
				  </name>
			  </person-group>
			  <year>1989</year>
			  <source>La Salud P&#x00FA;blica y el Hospital de la Ciudad de Pamplona en el Antiguo R&#x00E9;gimen (1700-1815)</source>
			  <publisher-loc>Pamplona</publisher-loc>
			  <publisher-name>Gobierno de Navarra</publisher-name>
			</element-citation>
			</ref>

			<ref id="CIT25">
			<element-citation publication-type="book">
			  <person-group person-group-type="author">
				  <name>
					  <surname>Relvas</surname>
					  <given-names>Eunice</given-names>	  
				  </name>
			  </person-group>
			  <year>2002</year>
			  <source>Esmola e degredo. Mendigos e Vadios em Lisboa (1835-1910)</source>
			  <publisher-loc>Lisboa</publisher-loc>
			  <publisher-name>Livros Horizonte</publisher-name>
			</element-citation>
			</ref>

			<ref id="CIT26">
			<element-citation publication-type="book">
			  <person-group person-group-type="author">
				  <name>
					  <surname>Resende</surname>
					  <given-names>Maria Leônia Chaves de</given-names>	  
				  </name>
				  <name>
					  <surname>Silveira</surname>
					  <given-names>Nat&#x00E1;lia</given-names>	  
				  </name>				  
			  </person-group>
			  <year>2009</year>
			  <chapter-title>Miseric&#x00F3;rdias da Santa Casa: um estudo de caso das pr&#x00E1;ticas m&#x00E9;dicas nas Minas Gerais Oitocentistas</chapter-title>
			  <person-group person-group-type="coordinator">
				  <name>
					  <surname>Ara&#x00FA;jo</surname>
					  <given-names>Maria Marta Lobo de</given-names>	  
				  </name>
			  </person-group>
			  <source>As Miseric&#x00F3;rdias das duas margens do Atl&#x00E2;ntico: Portugal e Brasil (s&#x00E9;culos XV-XX)</source>
			  <publisher-loc>S&#x00E3;o Paulo</publisher-loc>
			  <publisher-name>Carlini e Camiato</publisher-name>
			  <fpage>67</fpage>
			  <lpage>92</lpage>
			</element-citation>
			</ref>

			<ref id="CIT27">
			<element-citation publication-type="book">
			  <person-group person-group-type="author">
				  <name>
					  <surname>Rodrigues</surname>
					  <given-names>Henrique</given-names>	  
				  </name>
			  </person-group>
			  <year>1995</year>
			  <source>Emigra&#x00E7;&#x00E3;o e Alfabetiza&#x00E7;&#x00E3;o. O Alto Minho e a Miragem do Brasil</source>
			  <publisher-name>Governo Civil de Viana do Castelo</publisher-name>
			</element-citation>
			</ref>

			<ref id="CIT28">
			<element-citation publication-type="journal">
			  <person-group person-group-type="author">
				  <name>
					  <surname>Roque</surname>
					  <given-names>Jo&#x00E3;o Louren&#x00E7;o</given-names>	  
				  </name>
			  </person-group>
			  <year>2000</year>
			  <article-title>Epidemias no distrito de Coimbra no S&#x00E9;culo XIX</article-title>
			  <source>Separata da Revista Portuguesa de Hist&#x00F3;ria</source>
			  <volume>Tomo XXXIV</volume>
			  <fpage>1</fpage>
			  <lpage>152</lpage>
			</element-citation>
			</ref>

			<ref id="CIT29">
			<element-citation publication-type="book">
			  <person-group person-group-type="author">
				  <name>
					  <surname>Vicente</surname>
					  <given-names>Ana</given-names>	  
				  </name>
			  </person-group>
			  <year>2001</year>
			  <source>As Mulheres Portuguesas vistas por Viajantes estrangeiros (s&#x00E9;culos XVIII, XIX e XX)</source>
			  <publisher-loc>Lisboa</publisher-loc>
			  <publisher-name>G&#x00F3;tica</publisher-name>
			</element-citation>
			</ref>

			<ref id="CIT30">
			<element-citation publication-type="book">
			  <person-group person-group-type="author">
				  <name>
					  <surname>Ujvari</surname>
					  <given-names>Stefan Cunha</given-names>	  
				  </name>
			  </person-group>
			  <year>2003</year>
			  <source>A Hist&#x00F3;ria e suas Epidemias. A conviv&#x00EA;ncia do homem com os microrganismos</source>
			  <publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
			  <publisher-name>Editora Senac Rio, Editora Senac S&#x00E3;o Paulo</publisher-name>
			</element-citation>
			</ref>
		</ref-list>
		
	</back>
	
</article>