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				<journal-title>ASCLEPIO. Revista de Historia de la Medicina y de la Ciencia</journal-title>
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				<publisher-name>Consejo Superior de Investigaciones Cient&#x00ED;ficas</publisher-name>
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					<subject>ESTUDIOS / RESEARCH STUDIES</subject>
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				 <article-title>O tratamento dos doentes insanos de Vila Vi&#x00E7;osa no hospital de Rilhafoles (segunda metade do s&#x00E9;culo XIX)</article-title>
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				<trans-title>The treatment of the insane patients at the hospital in vila vi&#x00E7;osa rilhafoles (second half of the nineteenth century)</trans-title>
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				<alt-title alt-title-type="running-head">O tratamento dos doentes insanos de Vila Vi&#x00E7;osa no hospital de Rilhafoles (segunda metade do s&#x00E9;culo XIX)</alt-title>
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				 <surname>Ara&#x00FA;jo</surname>
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				<year>2014</year>
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				<title>RESUMO</title>
				<p>Neste trabalho analisamos os trâmites processuais respeitantes ao envio de doentes insanos de Vila Vi&#x00E7;osa para o hospital de Rilhafoles, na segunda metade do s&#x00E9;culo XIX, e as rela&#x00E7;&#x00F5;es estabelecidas com o hospital desta vila alentejana relativamente ao pagamento do tratamento.
				A bra&#x00E7;os com uma grave crise financeira, o hospital de Vila Vi&#x00E7;osa recusava sistematicamente a responsabilidade de enviar os alienados para Rilhafoles, numa tentativa de passar esse &#x00F3;nus para a administra&#x00E7;&#x00E3;o do concelho, mostrando-se muito renitente no pagamento das faturas que lhe chegavam do hospital de S&#x00E3;o Jos&#x00E9;. O conflito entre as duas institui&#x00E7;&#x00F5;es chegou ao monarca e sem outra alternativa que a do pagamento, o hospital da vila alentejana procedeu ao envio de parcelas de dinheiro, ainda que de forma muito atrasada.
				Para a realiza&#x00E7;&#x00E3;o deste trabalho servimo-nos dos livros de atas da Miseric&#x00F3;rdia e do fundo do Governo Civil de &#x00C9;vora, custodiadas pelo Arquivo Distrital da mesma cidade. Estas fontes resultam essencialmente da correspond&#x00EA;ncia estabelecida entre a Miseric&#x00F3;rdia de Vila Vi&#x00E7;osa, o administrador do concelho e o governador civil de &#x00C9;vora.</p>
			</abstract>
			
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>In this work we examined the procedural requirements related to the sending of insane patients of Vila Vi&#x00E7;osa to the hospital of Rilhafoles, in the second half of the 19th century, and the relationships established with the hospital of this Alentejo town relating to the payment of treatment. 
				Faced with a severe financial crisis, the hospital of Vila Vi&#x00E7;osa systematically refused the responsibility to send the insane patients to the Rilhafoles hospital in an attempt to pass this burden on the administration of the county, being very reluctant to pay the bills that came to him from the hospital of S&#x00E3;o Jos&#x00E9;. The conflict between the two institutions came to the monarch with no other alternative than the payment, the hospital of village of the Alentejo region proceeded to sending parcels of money, albeit way too late.
				For the realization of this work we use the books of the Miseric&#x00F3;rdia and the documents of the Civil Governor found of the city of &#x00C9;vora under the custody of the Distrital Archive of the same city. This documents results, basically, from the correspondence between the Miseric&#x00F3;rdia of Vila Vi&#x00E7;osa, the council administrator and the civil governor of &#x00C9;vora.</p>
			</trans-abstract>
			
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				<title>PALAVRAS-CHAVE</title> 
				<kwd>Insanos</kwd>
				<kwd>Hospital</kwd>
				<kwd>Pagamento</kwd>
				<kwd>Vila Vi&#x00E7;osa</kwd>
				<kwd>Rilhafoles</kwd>
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				<title>KEYWORDS</title> 
				<kwd>Insanes</kwd>
				<kwd>Hospital</kwd>
				<kwd>Payment</kwd>
				<kwd>Vila Vi&#x00E7;osa</kwd>
				<kwd>Rilhafoles</kwd>
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		<sec id="S1">
		
			<title>INTRODU&#x00C7;&#x00C3;O</title>

			<p>Em 1510, o hospital de Vila Vi&#x00E7;osa (Alentejo), propriedade da Casa de Bragan&#x00E7;a, foi incorporado na Santa Casa por ordem do duque D. Jaime, tendo ao longo da Idade Moderna recebidos grandes benef&#x00ED;cios da Casa senhorial. Durante o tempo que residiram em Vila Vi&#x00E7;osa, os duques trataram o hospital como se lhes continuasse a pertencer, beneficiando-o com legados, dinheiro, mas tamb&#x00E9;m com outras regalias. Essa situa&#x00E7;&#x00E3;o era facilitada n&#x00E3;o somente por serem irm&#x00E3;os da Santa Casa, mas sobretudo pela rela&#x00E7;&#x00E3;o que mantinham relativamente &#x00E0; administra&#x00E7;&#x00E3;o desta institui&#x00E7;&#x00E3;o. Os duques interferiam diretamente na gest&#x00E3;o da Miseric&#x00F3;rdia, mandando em todos os seus setores de atividade. Esta rela&#x00E7;&#x00E3;o alterou-se em 1640 quando o duque foi para Lisboa ocupar a Coroa.</p>

			<p>Com os legados recebidos, o hospital foi crescendo mantendo no s&#x00E9;culo XVIII seis enfermarias: uma para doentes de febres, outra para doentes de feridas, duas para tratamento do g&#x00E1;lico, mais uma para religiosos e envergonhados e ainda outra para convalescentes, ou seja, nesta altura era uma institui&#x00E7;&#x00E3;o de m&#x00E9;dia dimens&#x00E3;o.</p>

			<p>Os trabalhos existentes sobre a tem&#x00E1;tica da hist&#x00F3;ria da loucura e da psiquiatria em Portugal para o s&#x00E9;culo XIX n&#x00E3;o se t&#x00EA;m preocupado com a maneira como os poderes p&#x00FA;blicos e os particulares se organizaram para proporcionar o tratamento aos doentes. S&#x00E3;o ainda mais escassos os que abordam as liga&#x00E7;&#x00F5;es entre os hospitais das Miseric&#x00F3;rdias e o hospital de Rilhafoles. O nosso estudo procura ser um contributo para a an&#x00E1;lise do papel das Miseric&#x00F3;rdias no estudo da loucura, dando visibilidade &#x00E0;s rela&#x00E7;&#x00F5;es estabelecidas entre estas confrarias, as fam&#x00ED;lias, o hospital da capital e os poderes locais, nomeadamente o administrador do concelho. Neste sentido, o nosso trabalho constitui uma novidade. Deve ainda acrescentar-se que se trata do primeiro trabalho que aborda a assist&#x00EA;ncia prestada aos loucos no hospital de Vila Vi&#x00E7;osa. Sublinhe-se, contudo, que considerada a importância da tem&#x00E1;tica para a hist&#x00F3;ria da loucura e da psiquiatria, a an&#x00E1;lise da assist&#x00EA;ncia aos loucos nos hospitais das Miseric&#x00F3;rdias portuguesas constitui, no nosso entender, um campo de an&#x00E1;lise a privilegiar.</p>
		</sec>
		
		<sec id="S2">
			<title>O HOSPITAL DE VILA VI&#x00C7;OSA E O TRATAMENTO AOS INSANOS</title>

			<p>A clientela do hospital de Vila Vi&#x00E7;osa era maioritariamente constitu&#x00ED;da por homens de fora, que das diversas partes do pa&#x00ED;s cumpriam na regi&#x00E3;o temporadas de trabalho<xref ref-type="fn" rid="NOTE01">1</xref>, por militares, a partir de 1660, quando a Santa Casa assinou um acordo com a Coroa para os curar, e por gente da terra.</p>

			<p>A partir de meados do s&#x00E9;culo XIX, surgiu no hospital um outro tipo de doentes: os insanos. Desconhecemos se j&#x00E1; anteriormente o hospital tinha sido confrontado com a necessidade de dar resposta a estes doentes, mas o facto de n&#x00E3;o ter sido deixado rasto nas fontes impossibilita afirma&#x00E7;&#x00F5;es seguras. Estamos, no entanto, em crer que s&#x00F3; por volta dessa data se viu a bra&#x00E7;os com esta dificuldade, pois at&#x00E9; ent&#x00E3;o, os portadores de perturba&#x00E7;&#x00F5;es mentais eram mantidos em casa ou, em situa&#x00E7;&#x00E3;o mais grave, mandados encarcerar. A documenta&#x00E7;&#x00E3;o preservada sobre a cadeia da vila para a Idade Moderna tamb&#x00E9;m n&#x00E3;o refere o encerramento de doentes mentais, ao contr&#x00E1;rio do verificado em algumas localidades<xref ref-type="fn" rid="NOTE02">2</xref>.</p>

			<p>Com os avan&#x00E7;os da ci&#x00EA;ncia m&#x00E9;dica foi dada mais aten&#x00E7;&#x00E3;o aos assuntos do foro psiqui&#x00E1;trico, surgindo a Psiquiatria e os hospitais psiqui&#x00E1;tricos. Seguindo a linha de pensamento da &#x00E9;poca, os loucos deviam ser afastados e internados por constitu&#x00ED;rem elementos perturbadores ao funcionamento da sociedade (Perira, <xref ref-type="bibr" rid="CIT14">1986</xref>, p. 86).</p>

			<p>Em toda a Europa, o desenvolvimento e a implanta&#x00E7;&#x00E3;o dos hospitais psiqui&#x00E1;tricos levaram ao afastamento destes doentes dos restantes indiv&#x00ED;duos tamb&#x00E9;m internados, com vista a proporcionar-lhes um tratamento considerado adequado (Pichot; Barahona, <xref ref-type="bibr" rid="CIT16">1984</xref>, p. 18).</p>

			<p>O primeiro hospital destinado ao tratamento de alienados em Portugal, como eram chamados ou loucos, foi o de Rilhafoles, erigido em 1848. Este hospital estava sob a administra&#x00E7;&#x00E3;o do hospital de S&#x00E3;o Jos&#x00E9;. Como s&#x00F3; existia este hospital a n&#x00ED;vel nacional, Rilhafoles recebia doentes enviados de todo o pa&#x00ED;s. S&#x00F3; em 1883 surgiu no Porto o hospital Conde Ferreira, possibilitando o envio de doentes tamb&#x00E9;m para esta unidade de tratamento.</p>

			<p>Durante a segunda metade do s&#x00E9;culo XIX, a Santa Casa de Vila Vi&#x00E7;osa foi confrontada com v&#x00E1;rios casos de pedidos de ajuda por parte das fam&#x00ED;lias dos doentes do foro psiqui&#x00E1;trico. A Miseric&#x00F3;rdia manifestava sempre grande desconforto com este tipo de solicita&#x00E7;&#x00F5;es, pois n&#x00E3;o reunia condi&#x00E7;&#x00F5;es para os tratar no seu hospital, mas reconhecia a impossibilidade de algumas fam&#x00ED;lias os manterem em casa. Alegava n&#x00E3;o os poder ter internados, devido &#x00E0; falta de condi&#x00E7;&#x00F5;es para cuidar da sua doen&#x00E7;a, considerando que a solu&#x00E7;&#x00E3;o passava pelo seu envio para um dos hospitais psiqui&#x00E1;tricos entretanto constru&#x00ED;dos. Reconhecia, no entanto, que essa medida trazia custos para quem assumia a responsabilidade de os enviar. Por esta raz&#x00E3;o, o dilema era grande e nem sempre de resolu&#x00E7;&#x00E3;o imediata. Perante a complexidade do problema, alguns doentes mantinham-se alguns dias mais no hospital de Vila Vi&#x00E7;osa, aguardando que fosse encontrada uma sa&#x00ED;da para o seu caso.</p>

			<p>O drama era maior quando as fam&#x00ED;lias n&#x00E3;o os desejavam ter em sua companhia. Essas situa&#x00E7;&#x00F5;es referiam-se a casos de familiares idosos ou a doentes, com manifesta incapacidade de os cuidar, ou doentes que pelas perturba&#x00E7;&#x00F5;es causadas em casa e na rua, precisavam de serem internados para n&#x00E3;o inquietarem a ordem p&#x00FA;blica<xref ref-type="fn" rid="NOTE03">3</xref>.</p>

			<p>A maioria dos enviados pelo hospital de Vila Vi&#x00E7;osa para tratamento foi direcionada para Rilhafoles, mas alguns casos dirigiram-se para o hospital Conde Ferreira, provavelmente porque a unidade de tratamento de Lisboa recebia um n&#x00FA;mero muito elevado de doentes, esgotando a sua capacidade de rece&#x00E7;&#x00E3;o. Como j&#x00E1; referimos, ao hospital de Rilhafoles chegavam doentes provenientes de todo o pa&#x00ED;s<xref ref-type="fn" rid="NOTE04">4</xref>. O volume de insanos chegados a Rilhafoles cresceu de tal forma que na d&#x00E9;cada de 60 era j&#x00E1; superior &#x00E0; capacidade de rece&#x00E7;&#x00E3;o que possu&#x00ED;a, pondo em causa os cuidados de sa&#x00FA;de ministrados (Santos, <xref ref-type="bibr" rid="CIT20">2011</xref>, p. 72).</p>

			<p>Como at&#x00E9; ao s&#x00E9;culo XIX n&#x00E3;o existiam em Portugal hospitais para tratar estes doentes, as solu&#x00E7;&#x00F5;es encontradas eram escassas, embora o hospital de S. Jos&#x00E9; operasse com uma enfermaria para doentes mentais desde o s&#x00E9;culo XVI (Sena, <xref ref-type="bibr" rid="CIT21">1943</xref>, p. 63; Abreu, <xref ref-type="bibr" rid="CIT01">2009</xref>, p. 109.114). Tamb&#x00E9;m no hospital de D. Lopo de Almeida, no Porto, existia, em meados do s&#x00E9;culo XVII, um espa&#x00E7;o destinado a recolher os insanos (Pina, <xref ref-type="bibr" rid="CIT17">1964</xref>, p. 472).</p>

			<p>O envio destes doentes para as novas unidades de tratamento era reclamado pelo progresso das ci&#x00EA;ncias m&#x00E9;dicas e pela Psiquiatria (Pereira, <xref ref-type="bibr" rid="CIT14">1986</xref>, pp. 87-88), todavia, como estavam localizadas apenas em duas cidade, os que residiam mais longe tinham de percorrer muitos quil&#x00F3;metros em v&#x00E1;rios dias de viagem at&#x00E9; serem internados. Os moradores em Vila Vi&#x00E7;osa faziam algumas centenas de quil&#x00F3;metros at&#x00E9; ao Porto e mais de 100 Km at&#x00E9; Lisboa, o que dificultava e encarecia o processo de envio. Pela maior proximidade, foram quase todos direcionados para Lisboa.</p>

			<p>Em Vila Vi&#x00E7;osa, o hospital n&#x00E3;o se mostrava dispon&#x00ED;vel para receber estes doentes, todavia, tamb&#x00E9;m n&#x00E3;o queria ser acusado de falta de assist&#x00EA;ncia, numa altura em que os olhos do poder central e local se mantinham muito vigilantes e pr&#x00F3;ximos. Sempre que lhe chegava algum caso, o inc&#x00F3;modo era grande. Os irm&#x00E3;os alegavam de forma recorrente a falta de um espa&#x00E7;o adequado para os recolher, facto que levou o administrador do concelho em 1870 a recomendar a constru&#x00E7;&#x00E3;o de um compartimento que lhes fosse destinado<xref ref-type="fn" rid="NOTE05">5</xref>. </p>

			<p>A cria&#x00E7;&#x00E3;o de espa&#x00E7;os destinados aos loucos e a necessidade de os isolar dos restantes internados esteve na origem do surgimento de enfermarias pr&#x00F3;prias em alguns hospitais. Em 1870 a Miseric&#x00F3;rdia de Viseu mandou construir no seu hospital duas enfermarias para alienados, destinadas a cada sexo um dos sexos (Magalh&#x00E3;es, <xref ref-type="bibr" rid="CIT11">2011</xref>, p. 162).</p>

			<p>Como refere S&#x00ED;lvia Cunha ter&#x00E1; sido o medo e a inseguran&#x00E7;a da popula&#x00E7;&#x00E3;o que ter&#x00E3;o funcionado como mecanismos de press&#x00E3;o e levado ao surgimento de “locais pr&#x00F3;prios para os loucos” (Cunha, <xref ref-type="bibr" rid="CIT07">2002</xref>, p, 102).</p>

			<p>Alegando a car&#x00EA;ncia de um espa&#x00E7;o apropriado, os irm&#x00E3;os de Vila Vi&#x00E7;osa usaram o argumento do mal-estar que alguns provocavam aos restantes internados para os sacudir. Se por um lado, era preciso proteg&#x00EA;-los, por outro deviam cuidar para que n&#x00E3;o molestassem os restantes internados<xref ref-type="fn" rid="NOTE06">6</xref>. V&#x00E1;rios doentes hospitalizados queixavam-se &#x00E0; Mesa<xref ref-type="fn" rid="NOTE07">7</xref> da falta de sossego e do barulho causado por alguns desses doentes.</p>

			<p>Como n&#x00E3;o possu&#x00ED;am uma enfermaria para os receber, quando era preciso intern&#x00E1;-los at&#x00E9; que a sua situa&#x00E7;&#x00E3;o se resolvesse, eram colocados em locais vazios e considerados seguros<xref ref-type="fn" rid="NOTE08">8</xref>. A perman&#x00EA;ncia de mais ou menos tempo dos doentes no hospital de Vila Vi&#x00E7;osa dependia do entendimento conseguido com o Munic&#x00ED;pio ou com a fam&#x00ED;lia para os remeter para Lisboa. Estava em causa o pagamento da viagem e estadia que ningu&#x00E9;m queria assumir. As despesas eram elevadas e incertas, uma vez que o seu montante dependia do tempo de internamento, o qual era determinado pelos m&#x00E9;dicos de Rilhafoles. A d&#x00FA;vida levava os confrades de Vila Vi&#x00E7;osa a manterem-se muito cautelosos, argumentando com a sua situa&#x00E7;&#x00E3;o financeira para travar qualquer &#x00ED;mpeto mais generoso. Sempre que um novo caso aparecia, as negocia&#x00E7;&#x00F5;es entre a confraria e o administrador do concelho prolongavam-se, na tentativa de combinar esfor&#x00E7;os com o Munic&#x00ED;pio para os enviar para Lisboa. O administrador do concelho mediava a situa&#x00E7;&#x00E3;o entre a fam&#x00ED;lia e a Miseric&#x00F3;rdia e tentava sacudir para a Santa Casa as responsabilidades que a Câmara tinha com os doentes pobres.</p>

			<p>O pagamento di&#x00E1;rio de 240 r&#x00E9;is em Rilhafoles, mas sobretudo a incerteza do tempo em que a&#x00ED; ficaria internado cada doente eram os motivos maiores que preocupavam os administradores do hospital, por estarem cientes da despesa que causava, da incapacidade financeira em que se encontravam e da hipoteca futura que deixavam aos seus sucessores. Por outro lado, a Santa Casa encontrava-se numa situa&#x00E7;&#x00E3;o duplamente penalizadora: era pressionada pelo administrador concelhio a prover assist&#x00EA;ncia a estes doentes e, ao mesmo temo, por ele fortemente repreendida e vigiada para refrear os gastos.</p>

			<p>As hesita&#x00E7;&#x00F5;es dos irm&#x00E3;os prendiam-se com a preocupante situa&#x00E7;&#x00E3;o financeira da Miseric&#x00F3;rdia. Arrastando d&#x00ED;vidas e somando d&#x00E9;fices desde a d&#x00E9;cada de 30 deste s&#x00E9;culo, a Santa Casa experimentou momentos de grande afli&#x00E7;&#x00E3;o, por falta de verbas, sendo obrigada em 1860 a recorrer ao cr&#x00E9;dito de um banco portuense, a baixar radicalmente os sal&#x00E1;rios dos seus empregados, a reduzir o n&#x00FA;mero de internados no hospital e a cortar gastos em todos os setores para n&#x00E3;o fechar as suas portas e, mesmo assim, por v&#x00E1;rias vezes esteve na imin&#x00EA;ncia de insolv&#x00EA;ncia. A sua situa&#x00E7;&#x00E3;o financeira foi t&#x00E3;o fr&#x00E1;gil ao longo de quase todo o s&#x00E9;culo XIX que qualquer desaten&#x00E7;&#x00E3;o no setor das despesas, aumentava o d&#x00E9;fice j&#x00E1; existente, provocava chamadas de aten&#x00E7;&#x00E3;o do administrador do concelho e do governador civil de &#x00C9;vora e em casos extremos levou &#x00E0; demiss&#x00E3;o da Mesa e &#x00E0; nomea&#x00E7;&#x00E3;o de uma Comiss&#x00E3;o Administrativa. A incapacidade de cobrar os foros, rendas e pens&#x00F5;es, o corte dos benef&#x00ED;cios provenientes da Casa de Bragan&#x00E7;a, a infla&#x00E7;&#x00E3;o galopante e as despesas crescentes no setor da sa&#x00FA;de mantiveram esta confraria com d&#x00E9;fices durante quase toda a monarquia constitucional.</p>

			<p>A portaria de 1864 atribu&#x00ED;a ao Munic&#x00ED;pio a responsabilidade de encontrar uma solu&#x00E7;&#x00E3;o adequada para os casos dos doentes pobres<xref ref-type="fn" rid="NOTE09">9</xref>, raz&#x00E3;o que levou a Miseric&#x00F3;rdia, por v&#x00E1;rias vezes, a chamar os seus familiares, advertindo-os para o facto e incentivando-os a solicitar essa interven&#x00E7;&#x00E3;o. Todavia, essa estrat&#x00E9;gia nem sempre surtiu efeitos, porquanto tamb&#x00E9;m a Câmara estava com os cofres vazios e interessada em diminuir as suas responsabilidades financeiras. Assistia-se ent&#x00E3;o a um esgrimir de argumentos entre as duas institui&#x00E7;&#x00F5;es<xref ref-type="fn" rid="NOTE10">10</xref> que em nada beneficiavam o doente e s&#x00F3; serviam para arrastar o processo e o seu envio para Lisboa.</p>

			<p>A forma como o hospital lidou com esta situa&#x00E7;&#x00E3;o dependeu em muito de cada caso e das condi&#x00E7;&#x00F5;es criadas quer pela Câmara, quer pela fam&#x00ED;lia.</p>

			<p>A esposa de Manuel Ant&#x00F3;nio Pir&#x00E3;o pediu &#x00E0; Miseric&#x00F3;rdia a sua desloca&#x00E7;&#x00E3;o para o hospital de Rilhafoles, afirmando pagar a desloca&#x00E7;&#x00E3;o, pois j&#x00E1; tinha vendido os m&#x00F3;veis que possu&#x00ED;a para arcar com essas despesas. A senhora afirmava n&#x00E3;o reunir condi&#x00E7;&#x00F5;es em casa para lidar com os seus ataques de f&#x00FA;ria<xref ref-type="fn" rid="NOTE11">11</xref>, os quais eram cada vez mais gravosos e frequentes. Por outro lado, como n&#x00E3;o o conseguia manter na resid&#x00EA;ncia, este circulava pelas ruas da vila, amea&#x00E7;ando os transeuntes e inquietando a vida p&#x00FA;blica. Era compet&#x00EA;ncia do administrador do concelho evitar a divulga&#x00E7;&#x00E3;o dos doentes mentais pela povoa&#x00E7;&#x00E3;o<xref ref-type="fn" rid="NOTE12">12</xref>, raz&#x00E3;o que levava a Miseric&#x00F3;rdia a escudar-se nos poderes p&#x00FA;blicos para n&#x00E3;o tomar posi&#x00E7;&#x00E3;o, aconselhando a peticion&#x00E1;ria a dirigir-se &#x00E0; Câmara para esta a ajudar. Na eventualidade da sua s&#x00FA;plica n&#x00E3;o ser atendida, como veio a acontecer, o caminho a percorrer seria o do administrador do concelho<xref ref-type="fn" rid="NOTE13">13</xref>. A portaria de quatro de maio de 1850 estabelecia que os administradores dos concelhos n&#x00E3;o podiam prover a transfer&#x00EA;ncia de um doente mental para um hospital contra vontade da fam&#x00ED;lia, quando esta decidia responsabilizar-se por ele<xref ref-type="fn" rid="NOTE14">14</xref>, mas este n&#x00E3;o era o caso do citado Manuel Ant&#x00F3;nio Pir&#x00E3;o. J&#x00E1; a portaria de 29 de maio de 1850 previa que fossem as Miseric&#x00F3;rdias a assegurar o tratamento dos alienados pobres e as despesas da sua remo&#x00E7;&#x00E3;o para os hospitais psiqui&#x00E1;tricos<xref ref-type="fn" rid="NOTE15">15</xref>. Apesar disso, a Miseric&#x00F3;rdia de Vila Vi&#x00E7;osa insistia na falta de condi&#x00E7;&#x00F5;es financeiras para o poder fazer e tentava que a administra&#x00E7;&#x00E3;o do concelho assegurasse esses gastos.</p>

			<p>Como referimos, a posi&#x00E7;&#x00E3;o da Santa Casa foi mais ou menos inflex&#x00ED;vel, embora nunca se negasse a comparticipar. Quando existiam alguns bens familiares, a confraria adiantou dinheiro, para posteriormente ser ressarcida, embora nem sempre o reembolso se tenha efetuado de forma f&#x00E1;cil<xref ref-type="fn" rid="NOTE16">16</xref>.</p>

			<p>Se os enfermos n&#x00E3;o apresentavam quadros cl&#x00ED;nicos agressivos e era poss&#x00ED;vel conviver com eles, a pr&#x00F3;pria confraria acedia a receb&#x00EA;-los, ainda que temporariamente<xref ref-type="fn" rid="NOTE17">17</xref>.</p>

			<p>Quando em finais de 1882 a Mesa debateu o caso da alienada Agostinha Maria, que tinha entrado “provisoriamente” no hospital, decidiu ouvir o m&#x00E9;dico para melhor avaliar o seu estado de sa&#x00FA;de e mais sustentadamente tomar uma decis&#x00E3;o. As declara&#x00E7;&#x00F5;es do profissional de sa&#x00FA;de foram no sentido da sua transfer&#x00EA;ncia para outra unidade de tratamento, por n&#x00E3;o apresentar sinais de recupera&#x00E7;&#x00E3;o e por n&#x00E3;o poder ser ali tratada. Este era o argumento correntemente utilizado pelo m&#x00E9;dico que os irm&#x00E3;os replicavam sempre que era necess&#x00E1;rio. O hospital n&#x00E3;o tinha, segundo ele, recursos materiais de que se destacava a exist&#x00EA;ncia de “uma casa de banhos” para a poder manter. Perante esta situa&#x00E7;&#x00E3;o, a Mesa decidiu envi&#x00E1;-la para o hospital de Rilhafoles, assumindo as despesas do transporte e do seu tratamento<xref ref-type="fn" rid="NOTE18">18</xref>. Todavia, quando no ano seguinte foi contactada para proceder ao pagamento, procurou esquivar-se, o que obrigou o mordomo-mor de S&#x00E3;o Jos&#x00E9; a recordar-lhe a lei, responsabilizando-a pelos custos do seu internamento<xref ref-type="fn" rid="NOTE19">19</xref>.</p>

			<p>Os tratamentos disponibilizados pelo hospital de Vila Vi&#x00E7;osa reproduziam algumas das altera&#x00E7;&#x00F5;es conhecidas na ci&#x00EA;ncia m&#x00E9;dica, mas estavam longe dos avan&#x00E7;os que esta tinha alcan&#x00E7;ado na Europa, sobretudo na segunda metade oitocentista e que eram praticados no hospital de Rilhafoles<xref ref-type="fn" rid="NOTE20">20</xref>. </p>

			<p>Como a Santa Casa mostrava relutância em ter este tipo de doentes no seu hospital, por n&#x00E3;o ser o local adequado para o seu tratamento, e despachava-os logo que podia, as fam&#x00ED;lias que os conseguiam ter em sua companhia optavam por essa solu&#x00E7;&#x00E3;o<xref ref-type="fn" rid="NOTE21">21</xref>.</p>

			<p>A dificuldade das fam&#x00ED;lias lidarem com estes doentes estava, por um lado, associada &#x00E0; pobreza e &#x00E0; incapacidade financeira de suportarem uma pessoa que n&#x00E3;o contribu&#x00ED;a para o rendimento da casa e, por outro, &#x00E0;s pr&#x00F3;prias caracter&#x00ED;sticas da doen&#x00E7;a, que em certos casos tornava os atingidos violentos e causadores de perturba&#x00E7;&#x00F5;es familiares e na comunidade (Chevalier, <xref ref-type="bibr" rid="CIT05">2007</xref>, pp, 334.338). Os isanos eram considerados perturbadores do sossego particular e p&#x00FA;blico (Silva, <xref ref-type="bibr" rid="CIT22">2008</xref>, pp. 2-3). Existe, por&#x00E9;m, um terceiro motivo a considerar, que se prende com a representa&#x00E7;&#x00E3;o social da doen&#x00E7;a. Assumir publicamente a loucura de uma pessoa querida e envi&#x00E1;-la para um hospital especializado na doen&#x00E7;a, nem sempre era socialmente bem visto pelos que tinham a responsabilidade de tomar essa decis&#x00E3;o. A loucura era uma doen&#x00E7;a que estigmatizava muito e, por esta raz&#x00E3;o, motivo de grande hesita&#x00E7;&#x00E3;o no momento de decidir enviar os seus portadores para os “hospitais de loucos”.</p>

			<p>Quando a incapacidade financeira do hospital se associava ao desejo da fam&#x00ED;lia em n&#x00E3;o querer manter os doentes em casa, o problema agravava-se como se registou em alguns casos. A Miseric&#x00F3;rdia recebia os doentes por uns dias, mas sempre na esperan&#x00E7;a de lhes dar um outro rumo. O caso da doente Maria Joana torna-se exemplificativo desta situa&#x00E7;&#x00E3;o em 1886, agravado ainda pela “repugnância” do marido em envi&#x00E1;-la para o referido hospital psiqui&#x00E1;trico. </p>

			<p>A loucura foi durante muito tempo entendida como uma doen&#x00E7;a masculina. S&#x00F3; a partir do s&#x00E9;culo XVIII se “feminizou” (Porter, <xref ref-type="bibr" rid="CIT18">1989</xref>, p. 148). O caso de Joana Maria arrastou-se ao longo de v&#x00E1;rios meses, desesperando os pr&#x00F3;prios mes&#x00E1;rios que n&#x00E3;o encontravam uma sa&#x00ED;da para esta doente, enquanto o marido “vacilava e contradiz-se nas suas resolu&#x00E7;&#x00F5;es”<xref ref-type="fn" rid="NOTE22">22</xref>. Na aus&#x00EA;ncia de desenvolvimentos favor&#x00E1;veis entre o provedor e o marido da doente, foi solicitada a sua presen&#x00E7;a numa sess&#x00E3;o da Mesa para explicar perante o &#x00F3;rg&#x00E3;o as suas raz&#x00F5;es. Joaquim Pereira informou ser pobre e n&#x00E3;o poder ter a esposa na sua companhia, por estar impossibilitado financeiramente. Perante a situa&#x00E7;&#x00E3;o e devido aos constrangimentos vividos com o hospital de Rilhafoles, a Mesa resolveu estudar as condi&#x00E7;&#x00F5;es de envio da doente para o hospital Conde Ferreira, uma vez que o casal possu&#x00ED;a alguns bens<xref ref-type="fn" rid="NOTE23">23</xref>. Esta solu&#x00E7;&#x00E3;o n&#x00E3;o veio, contudo, a acontecer.</p>

			<p>Sem a poder manter no hospital e perante a situa&#x00E7;&#x00E3;o criada pela pr&#x00F3;pria fam&#x00ED;lia da doente, a Miseric&#x00F3;rdia informou o governador civil, o qual intimou o marido a lev&#x00E1;-la para o seu domic&#x00ED;lio<xref ref-type="fn" rid="NOTE24">24</xref>.</p>

			<p>Perante as dificuldades apresentadas, parece evidente a forma como os poderes p&#x00FA;blicos, as institui&#x00E7;&#x00F5;es particulares e os familiares se movimentavam no sentido de alcan&#x00E7;arem uma solu&#x00E7;&#x00E3;o para o problema, embora nem sempre com a celeridade que a situa&#x00E7;&#x00E3;o exigia, penalizando os doentes.</p>

			<p>Quando os familiares eram detentores de bens, a Miseric&#x00F3;rdia procurava esgotar a possibilidade destes assumirem todas as despesas, embora os processos nem sempre fossem lineares. Sempre que se verificava um novo caso, a Miseric&#x00F3;rdia entrava em contacto com o administrador do concelho para o colocar ao corrente e interagia com a fam&#x00ED;lia na tentativa de ser encontrada uma solu&#x00E7;&#x00E3;o, o que nem sempre se verificava. Em alguns casos, foi sugerido pelo administrador do concelho que a Miseric&#x00F3;rdia assumisse a responsabilidade do envio do doente para Lisboa, como aconteceu em 1877 com Jo&#x00E3;o Dion&#x00ED;sio, recebendo em contrapartida bens para saldar as despesas. Estas propostas eram efetuadas ap&#x00F3;s consulta e entendimento com a fam&#x00ED;lia, que se responsabilizava por parte das despesas. Como sempre acontecia, o representante local do governo procurava que a Santa Casa assumisse a maior parte ou a totalidade da responsabilidade, causando sempre muito mal-estar na institui&#x00E7;&#x00E3;o, como se verificou neste caso. A Miseric&#x00F3;rdia responsabilizou-se apenas pelo pagamento dos gastos, depois da m&#x00E3;e do doente ter esgotado os seus rendimentos<xref ref-type="fn" rid="NOTE25">25</xref>.</p>

			<p>A grave situa&#x00E7;&#x00E3;o financeira da Santa Casa n&#x00E3;o permitia descuidos e obrigava os mes&#x00E1;rios a exig&#x00EA;ncias com os familiares e com os poderes p&#x00FA;blicos, todavia, usava de miseric&#x00F3;rdia sempre que podia e procurava n&#x00E3;o colocar em perigo o prec&#x00E1;rio equil&#x00ED;brio de muitas fam&#x00ED;lias<xref ref-type="fn" rid="NOTE26">26</xref>.</p>
		</sec>
		
		<sec id="S3">
			<title>OS PAGAMENTOS AO HOSPITAL DE RILHAFOLES</title>

			<p>Estes doentes obrigaram a Miseric&#x00F3;rdia de Vila Vi&#x00E7;osa a manter rela&#x00E7;&#x00F5;es frequentes com o hospital de S&#x00E3;o Jos&#x00E9;, administrador do hospital de Rilhafoles. Os contactos foram marcados por grande tens&#x00E3;o, devido &#x00E0; falta de disponibilidade financeira do hospital alentejano para efectuar os pagamentos respeitantes aos tratamentos dos doentes para l&#x00E1; enviados.</p>

			<p>O hospital lisboeta recebia os enfermos, mas sob condi&#x00E7;&#x00F5;es, isto &#x00E9;, quem os remetia assumia o pagamento do tratamento. Por isso, havia muita pondera&#x00E7;&#x00E3;o no seu envio e nem sempre prontid&#x00E3;o e vontade de pagar as despesas efetuadas com eles. </p>

			<p>As rela&#x00E7;&#x00F5;es com o hospital de S&#x00E3;o Jos&#x00E9; pautaram-se nas d&#x00E9;cadas de 70 e 80 por constantes pedidos de pagamento por parte deste hospital e de estrat&#x00E9;gias nem sempre muito percet&#x00ED;veis, delineadas pelo hospital alentejano, na tentativa de o retardar ou de lhe fugir, usando variadas desculpas.</p>

			<p>Aos constantes pedidos de reembolso pelas despesas efetuadas, a Miseric&#x00F3;rdia de Vila Vi&#x00E7;osa questionava a seriedade da entidade emissora, mostrando-se indispon&#x00ED;vel para assumir as despesas. </p>

			<p>Como n&#x00E3;o se podia estimar o prazo de melhoras dos doentes enviados, a Santa Casa alentejana mostrava-se inquieta e preocupada. Quando n&#x00E3;o conseguia avaliar o tempo, entrava em contacto com o enfermeiro-mor do hospital lisboeta, solicitando-lhe uma avalia&#x00E7;&#x00E3;o dos m&#x00E9;dicos para que pudesse prever a possibilidade dos enfermos serem removidos para Vila Vi&#x00E7;osa<xref ref-type="fn" rid="NOTE27">27</xref> e, desta forma, diminuir os custos do tratamento.</p>

			<p>Decorridos 10 anos de conflito aberto entre a Miseric&#x00F3;rdia de Vila Vi&#x00E7;osa e o hospital de S&#x00E3;o Jos&#x00E9; sobre a despesa efetuada com os doentes, “mal recebidos”, como afirmavam os mes&#x00E1;rios da vila alentejana, estes afirmaram-se credores do cumprimento integral da lei e decidiram n&#x00E3;o pagar. Declaravam que perante a portaria de 17 de Janeiro de 1851, que regulamentou a entrada dos doentes no hospital de S&#x00E3;o Jos&#x00E9; apenas com carta de guia, n&#x00E3;o mais os enviaram para esta institui&#x00E7;&#x00E3;o.</p>

			<p>A circular de 23 de janeiro de 1866 do governador civil de &#x00C9;vora recomendava, de acordo com a portaria de 20 de janeiro do mesmo ano, que as Miseric&#x00F3;rdias n&#x00E3;o remetessem enfermos ao hospital de S&#x00E3;o Jos&#x00E9; sem serem acompanhados de cartas de guia e que o mordomo-mor deste hospital remetesse todos os anos econ&#x00F3;micos as despesas em d&#x00E9;bito &#x00E0;s institui&#x00E7;&#x00F5;es respons&#x00E1;veis pelo envio dos doentes para estas as inclu&#x00ED;rem nos or&#x00E7;amentos ordin&#x00E1;rios anuais<xref ref-type="fn" rid="NOTE28">28</xref>.</p>

			<p>Inconformada, a Miseric&#x00F3;rdia contestava a interpreta&#x00E7;&#x00E3;o da portaria de 1851 por parte do hospital, acusando-o de receber mendigos sem resid&#x00EA;ncia em Vila Vi&#x00E7;osa.</p>

			<p>Perante as respostas que chegavam de Vila Vi&#x00E7;osa, e como n&#x00E3;o podia deixar de receber, o hospital de S&#x00E3;o Jos&#x00E9; passou ao ataque e queixou-se junto das autoridades competentes. Em 1877, a Mesa recebeu ordem do Conselho de Distrito para pagar ao referido hospital, levando os mes&#x00E1;rios a efetuar esse pagamento sob protesto<xref ref-type="fn" rid="NOTE29">29</xref>. O of&#x00ED;cio recebido do administrador do concelho ordenava ao provedor a inclus&#x00E3;o de 96.960 r&#x00E9;is no or&#x00E7;amento para enviar para o hospital de Lisboa, mas a Miseric&#x00F3;rdia respondia n&#x00E3;o lhe caber essa despesa, por n&#x00E3;o ter passado as cartas de guia aos doentes mencionados. Perante a insist&#x00EA;ncia do mordomo-mor do referido hospital, esclareceu-o que tinha recorrido ao monarca para ser ele a resolver a quest&#x00E3;o<xref ref-type="fn" rid="NOTE30">30</xref>. A Santa Casa de Vila Vi&#x00E7;osa mantinha-se esperan&#x00E7;ada na clem&#x00EA;ncia do monarca, mas tamb&#x00E9;m na liga&#x00E7;&#x00E3;o que sempre teve &#x00E0; Casa de Bragan&#x00E7;a.</p>

			<p>Contra a portaria de 1850 estava tamb&#x00E9;m o administrador do concelho que lhe ordenou a inclus&#x00E3;o no or&#x00E7;amento para 1867 de uma verba destinada a S&#x00E3;o Jos&#x00E9;, facto que enfureceu os mes&#x00E1;rios, afirmando faz&#x00EA;-lo apenas por obedi&#x00EA;ncia, embora n&#x00E3;o se coibissem de fazer ouvir o seu protesto e, em 1874, passaram novamente ao ataque. Acusaram o hospital de S&#x00E3;o Jos&#x00E9; de forjar as cartas que guia que apresentava como prova, fazendo-o com depoimentos orais dos mendigos que se diziam residentes no concelho alentejano visado (Ara&#x00FA;jo, <xref ref-type="bibr" rid="CIT04">2010</xref>, p. 174). Na altura, os mes&#x00E1;rios esmeraram-se em argumentos sobre a passagem das cartas de guia, tendo recorrido a um advogado para sustentar a argumenta&#x00E7;&#x00E3;o sobre a validade dos testemunhos dos mendigos, embora de nada lhes valesse<xref ref-type="fn" rid="NOTE31">31</xref>. Com ou sem raz&#x00E3;o, o facto &#x00E9; que a Santa Casa de Vila Vi&#x00E7;osa n&#x00E3;o dispunha de lastro financeiro para tais pagamentos e procurava fugir-lhes por todos os meios.</p>

			<p>Em 1878, a Miseric&#x00F3;rdia foi obrigada, como j&#x00E1; referimos, atrav&#x00E9;s de ordem r&#x00E9;gia, a pagar ao hospital de S&#x00E3;o Jos&#x00E9; e n&#x00E3;o o podendo fazer de uma vez somente, enviou uma parcela 78.084 r&#x00E9;is, em julho, atrav&#x00E9;s de um vale do correio<xref ref-type="fn" rid="NOTE32">32</xref>. O dinheiro remetido era referente aos anos de 1864 a 1869. Na ocasi&#x00E3;o, e para maior controlo, pediu ao mordomo-mor do hospital de S&#x00E3;o Jos&#x00E9; para lhe enviar um mapa com os doentes a que se referia o pagamento, desde 1864. Tratava-se de uma demonstra&#x00E7;&#x00E3;o de for&#x00E7;a, uma vez que a Santa Casa entendia n&#x00E3;o dever efetuar essas despesas e s&#x00F3; as come&#x00E7;ou a pagar porque foi obrigada. Como n&#x00E3;o obteve resposta, a Mesa acusava-o de falta de conhecimento das regras de civilidade e educa&#x00E7;&#x00E3;o, pedindo ao governador civil para o obrigar a remeter a documenta&#x00E7;&#x00E3;o solicitada<xref ref-type="fn" rid="NOTE33">33</xref>. A Miseric&#x00F3;rdia duvidava ter responsabilidades no pagamento e declarava apenas ter cumprido uma exig&#x00EA;ncia, n&#x00E3;o deixando, contudo, de o fazer sem protesto. O que mais indignava a Santa Casa alentejana era a arrogância do hospital da capital que, segundo a Mesa, se encontrava escudado na “protec&#x00E7;&#x00E3;o superior que devida &#x00E1; natureza d’esse Estabelecimento lhe &#x00E9; despensada”<xref ref-type="fn" rid="NOTE34">34</xref>. Esta acusa&#x00E7;&#x00E3;o est&#x00E1; provavelmente associada ao facto da sua s&#x00FA;plica junto do monarca n&#x00E3;o ter alcan&#x00E7;ado uma resposta positiva, como era sua expetativa. O hospital de Vila Vi&#x00E7;osa reconhecia a sua pequenez perante o de S&#x00E3;o Jos&#x00E9;, enquanto pensava tamb&#x00E9;m nas vantagens de estar pr&#x00F3;ximo do poder pol&#x00ED;tico.</p>

			<p>O hospital de Lisboa usava a Miseric&#x00F3;rdia e a Câmara de Vila Vi&#x00E7;osa, procurando, de um ou de outro lado, ser ressarcido das despesas feitas. Em agosto de 1879 escreveu uma carta ao presidente da Câmara referindo o alvar&#x00E1; de 14-02-1825 que responsabilizava estas institui&#x00E7;&#x00F5;es de remeterem para o hospital o dinheiro referente ao curativo dos doentes para l&#x00E1; enviados dos respetivos concelhos e acusando a Santa Casa de lhe dever 125.040 r&#x00E9;is referentes aos anos de 1878 e 1879, montante que devia ter sido pago no anterior m&#x00EA;s de junho. Acusava ainda a Miseric&#x00F3;rdia de ter desviado esse dinheiro para as obras realizadas na sua farm&#x00E1;cia<xref ref-type="fn" rid="NOTE35">35</xref>. Apesar do atraso, a Santa Casa respondeu em abril s&#x00F3; poder satisfazer o referido montante no pr&#x00F3;ximo m&#x00EA;s de junho<xref ref-type="fn" rid="NOTE36">36</xref>. Esta resposta servia apenas para arrastar o pagamento e passar a responsabilidade para a nova Mesa. Assim, quando tomou posse, o provedor em fun&#x00E7;&#x00F5;es informou o hospital de S&#x00E3;o Jos&#x00E9; de n&#x00E3;o dispor de verbas para efetuar o pagamento e necessitar de um or&#x00E7;amento suplementar para o poder concretizar<xref ref-type="fn" rid="NOTE37">37</xref>.</p>

			<p>A posi&#x00E7;&#x00E3;o da Santa Casa de Vila Vi&#x00E7;osa foi sempre a de utilizar subterf&#x00FA;gios para n&#x00E3;o enviar prontamente o dinheiro para o hospital da capital. Se por um lado, n&#x00E3;o dispunha de verbas e vivia em permanente afli&#x00E7;&#x00E3;o econ&#x00F3;mica, por outro recorria a estratagemas dilat&#x00F3;rios, exasperando o hospital de Lisboa. O provedor sabia bem que para pagar tinha de introduzir a quantia a enviar ao hospital de S&#x00E3;o Jos&#x00E9; no or&#x00E7;amento para o pr&#x00F3;ximo ano. Se n&#x00E3;o o fizesse, como aconteceu, o seu sucessor n&#x00E3;o a podia pagar, a n&#x00E3;o ser atrav&#x00E9;s de um or&#x00E7;amento retificativo, como prometeu fazer. Todavia, em julho quando respondeu n&#x00E3;o o podia efetuar, por estar a chegar ao poder e o or&#x00E7;amento ordin&#x00E1;rio ter acabado de ser aprovado.</p>

			<p>Em 1879, a Miseric&#x00F3;rdia procedeu, de facto, a melhoramentos na farm&#x00E1;cia e pediu &#x00E0; Câmara que lhe cedesse v&#x00E1;rios materiais do extinto convento de S&#x00E3;o Paulo<xref ref-type="fn" rid="NOTE38">38</xref>.</p>

			<p>A obra foi realizada com estas ajudas, mas necessitou da aprova&#x00E7;&#x00E3;o de um or&#x00E7;amento suplementar por parte das autoridades competentes, uma vez que excedeu os gastos or&#x00E7;amentados, devido aos seus custos terem sido mal avaliados pelos peritos. Apesar do esfor&#x00E7;o financeiro, as obras s&#x00F3; foram terminadas com um donativo oferecido pelo escriv&#x00E3;o da Mesa.</p>

			<p>Com a remodela&#x00E7;&#x00E3;o efetuada, a farm&#x00E1;cia melhorou bastante, n&#x00E3;o apenas em bens interiores, mas tamb&#x00E9;m com a abertura de uma porta para a rua de Tr&#x00EA;s e outra para o p&#x00E1;tio do hospital<xref ref-type="fn" rid="NOTE39">39</xref>.</p>

			<p>Se o dinheiro que devia ter ido para Lisboa foi desviado para estas obras n&#x00E3;o o podemos afirmar com seguran&#x00E7;a, todavia, o hospital da capital parecia estar bem informado do que se passava na vila alentejana e solicitava ao presidente da Câmara o cumprimento da lei.</p>

			<p>Perante a falta de pagamento, o mordomo-mor do hospital de S&#x00E3;o Jos&#x00E9; escrevia mensalmente ao presidente da Câmara lembrando a d&#x00ED;vida em causa e solicitando que pressionasse a Miseric&#x00F3;rdia, avisando-o mesmo das iniciativas que devia tomar junto do governador civil, para resolver o assunto<xref ref-type="fn" rid="NOTE40">40</xref>.</p>

			<p>Como j&#x00E1; referimos, as contas enviadas pelo hospital de S&#x00E3;o Jos&#x00E9; eram mal recebidas em Vila Vi&#x00E7;osa e os mes&#x00E1;rios insurgiam-se contra Lisboa, protestando contra a atua&#x00E7;&#x00E3;o do seu mordomo-mor e responsabilizando-o por atos que lhe eram acometidos.</p>

			<p>Em 1880 numa carta enviada ao provedor da Miseric&#x00F3;rdia, o hospital de S&#x00E3;o Jos&#x00E9; fazia saber que estavam pagamentos por realizar referentes a 1875 e 1876, muito embora tivessem sido j&#x00E1; outros realizados e enviado o recibo correspondente a 1874, 1875 e 1876<xref ref-type="fn" rid="NOTE41">41</xref>. A missiva tornava clara a tens&#x00E3;o existente entre as duas institui&#x00E7;&#x00F5;es, mas tamb&#x00E9;m os pagamentos parcelares e retardados realizados pela Santa Casa de Vila Vi&#x00E7;osa.</p>

			<p>Mas se a Miseric&#x00F3;rdia tardava em responder e em pagar, a Câmara replicava igual procedimento, o que exasperava o mordomo-mor. Em setembro de 1880 escreveu ao administrado do concelho de Vila Vi&#x00E7;osa, pedindo resposta a v&#x00E1;rios of&#x00ED;cios enviados e solicitando que as despesas relativas aos doentes idos do concelho fossem inclu&#x00ED;das no or&#x00E7;amento camar&#x00E1;rio<xref ref-type="fn" rid="NOTE42">42</xref>. A rece&#x00E7;&#x00E3;o de doentes de todo o pa&#x00ED;s e a dificuldade que tinha em cobrar as despesas tornou o hospital de S&#x00E3;o Jos&#x00E9; mais reivindicativo e menos tolerante &#x00E0; demora<xref ref-type="fn" rid="NOTE43">43</xref>. As explica&#x00E7;&#x00F5;es dadas pelo mordomo-mor em nada ajudavam a Miseric&#x00F3;rdia da vila alentejana, que apesar de melhor informada, n&#x00E3;o conseguia meios para tamb&#x00E9;m ela responder com efic&#x00E1;cia &#x00E0;s solicita&#x00E7;&#x00F5;es feitas. Em 1882 as cartas que chegavam de Lisboa a Vila Vi&#x00E7;osa informavam da falta de verbas com que se confrontava o hospital de Rilhafoles e a necessidade que tinha de socorrer “1800” pacientes diariamente. Por isso, em junho de 1882, a carta enviada ao provedor solicitava o pagamento da d&#x00ED;vida desse ano num prazo de oito dias<xref ref-type="fn" rid="NOTE44">44</xref>.</p>
		</sec>
		
		<sec id="S4">
			<title>CONCLUS&#x00C3;O</title>

			<p>As rela&#x00E7;&#x00F5;es entre o hospital de S&#x00E3;o Jos&#x00E9; e a Miseric&#x00F3;rdia de Vila Vi&#x00E7;osa foram pautadas nesta segunda metade do s&#x00E9;culo XIX por grande tens&#x00E3;o devido &#x00E0; falta de pagamento ou ao envio apenas de parcelas do montante referente ao curativo de doentes. Sem recursos financeiros que sustentassem essa despesa, a Santa Casa alentejana procurou por todos meios esquivar-se ao pagamento, levantando d&#x00FA;vidas e afrontando o hospital da capital, numa tentativa de ganhar tempo, mas tamb&#x00E9;m procurando esgrimir argumentos que lhe diminu&#x00ED;ssem a conta a saldar. Esta estrat&#x00E9;gia levou-a at&#x00E9; ao monarca, pedindo ajuda e prote&#x00E7;&#x00E3;o, mas sem conseguir vencer, viu-se obrigada a pagar a sua d&#x00ED;vida, fazendo-o de forma muito arrastada e parcelar. </p>

			<p>Como em Rilhafoles se recebiam doentes provenientes de todo o pa&#x00ED;s, o hospital de S&#x00E3;o Jos&#x00E9; mantinha-se muito vigilante e dispunha de experi&#x00EA;ncia acumulada que o fazia direcionar os seus pedidos para v&#x00E1;rias pessoas e institui&#x00E7;&#x00F5;es, numa luta permanente para ele pr&#x00F3;prio saldar as suas d&#x00ED;vidas e continuar a tratar os muitos doentes insanos diariamente internados.</p>
		
		</sec>
	</body>
	
	<back>
		
		<sec id="notas">
			<title>NOTAS</title>
		
			<fn-group>
		
				<fn id="NOTE01"><label>1</label>
					<p>O mesmo se passou tamb&#x00E9;m no hospital do Esp&#x00ED;rito Santo de &#x00C9;vora. Leia-se Pardal (<xref ref-type="bibr" rid="CIT13">2013</xref>),  pp. 80-83.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE02"><label>2</label>
					<p>Sobre o encerramento dos loucos nas cadeias leia-se Foucault (<xref ref-type="bibr" rid="CIT10">2002</xref>); &#x00C1;lvarez-Ur&#x00ED;a (<xref ref-type="bibr" rid="CIT02">1983</xref>, pp. 26-27; Esteves (<xref ref-type="bibr" rid="CIT08">2010</xref>), pp. 701-709.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE03"><label>3</label>
					<p>Na tentativa de os controlar, algumas fam&#x00ED;lias mais abastadas isolavam estes doentes num compartimento da casa. Veja-se Pereira; Gomes; Martins (<xref ref-type="bibr" rid="CIT15">2005</xref>), p. 99.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE04"><label>4</label>
					<p>Para esta mat&#x00E9;ria consulte-se Pichot; Barahona (<xref ref-type="bibr" rid="CIT16">1984</xref>)<italic>, </italic> p. 254.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE05"><label>5</label>
					<p>Arquivo Distrital de &#x00C9;vora, (doravante ADE), Fundo do Governo Civil, <italic>Or&#x00E7;amentos de receita e despesa de 1870-1871</italic>, cx. 984, pe&#x00E7;a nº 33, fl. 5.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE06"><label>6</label>
					<p>Na Idade Moderna n&#x00E3;o era raro estarem acorrentados para que n&#x00E3;o prejudicassem os que se encontravam &#x00E0; sua volta. Veja-se Trop&#x00E9; (<xref ref-type="bibr" rid="CIT24">1994</xref>), pp. 239-242.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE07"><label>7</label>
					<p>&#x00D3;rg&#x00E3;o diretivo composto por 13 membros. A Mesa tinha um mandato anual.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE08"><label>8</label>
					<p>Em 1869, o alienado Ang&#x00E9;lico Martins foi removido para o local denominado “receitu&#x00E1;rio”, por ser o &#x00FA;nico compartimento isolado que reunia condi&#x00E7;&#x00F5;es de seguran&#x00E7;a para o ter.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE09"><label>9</label>
					<p>Arquivo Municipal de Vila Vi&#x00E7;osa (doravante AMVV), Fundo da Miseric&#x00F3;rdia<italic>, Livro das Actas das Sess&#x00F5;es da Comiss&#x00E3;o Administrativa da Misericordia de Villa Vi&#x00E7;osa 1857-1860, </italic>fls. 21v.-24. Sobre a condi&#x00E7;&#x00E3;o social dos doentes internados no hospital de Cabeceiras de Basto em finais do s&#x00E9;culo XIX e come&#x00E7;os do XX veja-se Ferraz (<xref ref-type="bibr" rid="CIT09">2011</xref>), pp. 103-106.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE10"><label>10</label>
					<p>A prop&#x00F3;sito da atitude da sociedade perante estes doentes leia-se Rosen, Gorge (<xref ref-type="bibr" rid="CIT19">1974</xref>, pp. 214-227.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE11"><label>11</label>
					<p>Alguns doentes tinham ataques col&#x00E9;ricos que amedrontavam os que conviviam com eles. Leia-se Mattos (<xref ref-type="bibr" rid="CIT12">1889</xref>), p. 81.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE12"><label>12</label>
					<p>Confira-se <italic>C&#x00F3;digo Administrativo de <xref ref-type="bibr" rid="CIT06">1842</xref></italic> (1849), Coimbra, Imprensa da Universidade de Coimbra, p. 108.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE13"><label>13</label>
					<p>AMVV, Fundo da Miseric&#x00F3;rdia<italic>, Servir&#x00E1; este Livro para as Actas das Sessoes da Administra&#x00E7;&#x00E3;o da Misericordia de Villa Vi&#x00E7;osa 1868-1877, </italic>fls. 37v., 39v., 41.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE14"><label>14</label>
					<p><italic>Collec&#x00E7;&#x00E3;o Official de Legisla&#x00E7;&#x00E3;o Portuguesa redigida por Jos&#x00E9; Maximo de Castro Neto Leite e Vasconcellos, do Conselho de Sua Majestade e Juiz da Rela&#x00E7;&#x00E3;o de Lisboa, Anno de 1850</italic> (1851), Lisboa, Imprensa Nacional, p. 188.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE15"><label>15</label>
					<p><italic>Collec&#x00E7;&#x00E3;o Official de Legisla&#x00E7;&#x00E3;o Portuguesa redigida por Jos&#x00E9; Maximo de Castro Neto Leite e Vasconcellos, do Conselho de Sua Majestade e Juiz da Rela&#x00E7;&#x00E3;o de Lisboa, Anno de 1850</italic>…, p. 221.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE16"><label>16</label>
					<p>Os 304.560 r&#x00E9;is respeitantes ao tratamento em Rilhafoles do doente Joaquim Ant&#x00F3;nio das Neves foram pagos pela sua esposa em 30 presta&#x00E7;&#x00F5;es. Arquivo da Santa Casa da Miseric&#x00F3;rdia de Vila Vi&#x00E7;osa, <italic>Livro de receita e despesa 1879-1880</italic>, fl. 30.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE17"><label>17</label>
					<p>Em 1876 a Miseric&#x00F3;rdia acordou fazer regressar Ana Joaquina, internada em Rilhafoles, por ter not&#x00ED;cia que o seu estado de sa&#x00FA;de n&#x00E3;o era preocupante. AMVV, Fundo da Miseric&#x00F3;rdia<italic>, Servir&#x00E1; este Livro para as Actas das Sessoes da Administra&#x00E7;&#x00E3;o…, 1868-1877, </italic>fl. 138. Depois de estar na vila, a doente foi internada no hospital, mas como a Miseric&#x00F3;rdia n&#x00E3;o a desejava manter, pediu por tr&#x00EA;s vezes ao administrador do concelho que diligenciasse uma solu&#x00E7;&#x00E3;o para o seu caso. AMVV, Fundo da Miseric&#x00F3;rdia, <italic>Copiador dos oficios expedidos…, </italic>fls. 68v.-69, 74v.-75, 77.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE18"><label>18</label>
					<p>AMVV, Fundo da Miseric&#x00F3;rdia, <italic>Servir&#x00E1; este Livro para as actas das sess&#x00F5;es da M&#x00EA;za administrativa da Misericordia de Vila Vi&#x00E7;osa 1882-1896</italic>, fl. 9v.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE19"><label>19</label>
					<p>Agrade&#x00E7;o &#x00E0; Profª Laurinda Abreu a consulta documental efetuada na Torre do Tombo, referente ao arquivo do hospital de S&#x00E3;o Jos&#x00E9;. Arquivos Nacionais da Torre do Tombo, (doravante ANTT), <italic>Livro do hospital de S&#x00E3;o Jos&#x00E9;</italic>, nº 2469, registo nº 538.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE20"><label>20</label>
					<p>Consulte-se a prop&#x00F3;sito Sournia (<xref ref-type="bibr" rid="CIT23">1995</xref>), pp. 251-285.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE21"><label>21</label>
					<p>Joaquim Ant&#x00F3;nio Correia Fusco solicitou em 1886 uma ra&#x00E7;&#x00E3;o di&#x00E1;ria &#x00E0; Miseric&#x00F3;rdia para o seu filho, doente mental, por ser pobre, “viver apenas do seu trabalho” e n&#x00E3;o ter recursos suficientes para sustentar a sua fam&#x00ED;lia. A Mesa deferiu o pedido, estabelecendo, no entanto, que a ajuda se mantinha apenas durante a sua vig&#x00EA;ncia. AMVV, Fundo da Miseric&#x00F3;rdia, <italic>Servir&#x00E1; este Livro para as actas das sess&#x00F5;es da M&#x00EA;za…, 1882-1896, </italic>fl. 62v.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE22"><label>22</label>
					<p>AMVV, Fundo da Miseric&#x00F3;rdia, <italic>Servir&#x00E1; este Livro parar as actas das sess&#x00F5;es da M&#x00EA;za, Servir&#x00E1; este Livro para as actas das sess&#x00F5;es da M&#x00EA;za…, 1882-1896</italic>, fls. 63v.-64v.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE23"><label>23</label>
					<p>AMVV, Fundo da Miseric&#x00F3;rdia, <italic>Servir&#x00E1; este Livro para as actas das sess&#x00F5;es da M&#x00EA;za…, 1882-1896</italic>, fl. 62v.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE24"><label>24</label>
					<p>Maria Joana saiu do hospital, mas a Santa Casa continuou a ajud&#x00E1;-la com o envio de uma ra&#x00E7;&#x00E3;o di&#x00E1;ria, respondendo favoravelmente ao pedido que o seu marido lhe dirigiu. AMVV, Fundo da Miseric&#x00F3;rdia, <italic>Servir&#x00E1; este Livro para as actas das sess&#x00F5;es da M&#x00EA;za…, 1882-1896,</italic> fl. 66v.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE25"><label>25</label>
					<p>AMVV, Fundo da Miseric&#x00F3;rdia, <italic>Servir&#x00E1; este Livro para as actas das sess&#x00F5;es da M&#x00EA;za…, 1882-1896,</italic> fls. 173-173v.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE26"><label>26</label>
					<p>Quando em 1887 morreu Joana Felizarda, de Bencatel, doente mental, que a confraria ajudava em sua casa, a Mesa resolveu n&#x00E3;o cobrar nada aos seus filhos, apesar de possu&#x00ED;rem alguns bens, por n&#x00E3;o desejar “praticar viol&#x00EA;ncia” contra eles e considerar que o que lhe enviou era inferior ao que teria gasto se a doente tivesse sido tratada num hospital psiqui&#x00E1;trico. AMVV, Fundo da Miseric&#x00F3;rdia, <italic>Servir&#x00E1; este Livro para as actas das sess&#x00F5;es da M&#x00EA;za…, 1882-1896,</italic> fls. 96-96v.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE27"><label>27</label>
					<p>AMVV, Fundo da Miseric&#x00F3;rdia, <italic>Servir&#x00E1; este Livro para as Actas das Sessoes da Administra&#x00E7;&#x00E3;o…, 1868-1877, </italic>fls. 137v., 139.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE28"><label>28</label>
					<p><italic>Collec&#x00E7;&#x00E3;o Official da Legisla&#x00E7;&#x00E3;o Portugueza, Anno de 1866</italic> (1867), Lisboa, Imprensa Nacional, p. 16.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE29"><label>29</label>
					<p>AMVV, Fundo da Miseric&#x00F3;rdia<italic>, Servir&#x00E1; este Livro para as actas das Sess&#x00F5;es da M&#x00EA;za administrativa da Misericordia de Villa Vi&#x00E7;osa, 1877-1882, </italic>fls. 17-17v.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE30"><label>30</label>
					<p>AMVV, Fundo da Miseric&#x00F3;rdia, <italic>Livro de registo dos oficios do copiador…, 1857-1867</italic>, fls. 70v.-71, 79-80.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE31"><label>31</label>
					<p>AMVV, Fundo da Miseric&#x00F3;rdia, <italic>Servir&#x00E1; este Livro para as Actas das Sessoes da Administra&#x00E7;&#x00E3;o…, 1868-1877, </italic>fls. 140-146v.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE32"><label>32</label>
					<p>ADE, Fundo do Governo Civil, cx. 1013, <italic>Correspond&#x00EA;ncia em 1979</italic>, documento avulso, n&#x00E3;o paginado.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE33"><label>33</label>
					<p>ADE, Fundo do Governo Civil, cx. 1013, <italic>Correspond&#x00EA;ncia de 1879, </italic>documento avulso<italic>,</italic> n&#x00E3;o paginado.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE34"><label>34</label>
					<p>ADE, Fundo do Governo Civil, cx. 1013, <italic>Correspond&#x00EA;ncia 1879</italic>, documento avulso, n&#x00E3;o paginado.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE35"><label>35</label>
					<p>ANTT, <italic>Livro do hospital de S&#x00E3;o Jos&#x00E9;</italic>, nº 2461, registo nº 484.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE36"><label>36</label>
					<p>ANTT, <italic>Livro do hospital de S&#x00E3;o Jos&#x00E9;</italic>, nº 2991, registo nº 2125.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE37"><label>37</label>
					<p>ANTT, <italic>Livro do hospital de S&#x00E3;o Jos&#x00E9;</italic>, nº 2991, registo nº 118.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE38"><label>38</label>
					<p>AMVV, <italic>Copiador dos officios expedidos pela Secretaria da Misericordia de Vila Vi&#x00E7;osa-Outubro de 1776 a Mar&#x00E7;o de 1879,</italic> fls. 99-100.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE39"><label>39</label>
					<p>AMVV, Fundo da Miseric&#x00F3;rdia<italic>, Servir&#x00E1; este Livro para as actas das Sess&#x00F5;es da M&#x00EA;za…, </italic>fls. 41v.-42.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE40"><label>40</label>
					<p>ANTT, <italic>Livro do hospital de S&#x00E3;o Jos&#x00E9;</italic>, nº 2461, registos nº 863, 1309, 1730.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE41"><label>41</label>
					<p>ANTT, <italic>Livro do hospital de S&#x00E3;o Jos&#x00E9;</italic>, nº 2462, registo nº 3931.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE42"><label>42</label>
					<p>ANTT, <italic>Livro do hospital de S&#x00E3;o Jos&#x00E9;</italic>, nº 2462, registo nº 206.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE43"><label>43</label>
					<p>ANTT, <italic>Livro do hospital de S&#x00E3;o Jos&#x00E9;</italic>, nº 2462, registo nº 1039.</p>
				</fn>
				
				<fn id="NOTE44"><label>44</label>
					<p>ANTT, <italic>Livro do hospital de S&#x00E3;o Jos&#x00E9;</italic>, nº 2462, registos nº 481, 794, 1002.</p>
				</fn>
				
			</fn-group>
		</sec>
		
		<ref-list>
			<title>BIBLIOGRAF&#x00CD;A</title>

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			<element-citation publication-type="book">
			  <person-group person-group-type="author">   
				  <name>
				  <surname>Abreu</surname>
				  <given-names>Laurinda</given-names>
				  </name>  	      	  	  	    
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			  <year>2009</year> 
			  <chapter-title>A Miseric&#x00F3;rdia de Lisboa, o Hospital Real e os insanos: notas para uma introdu&#x00E7;&#x00E3;o</chapter-title>  		
			  <source>Museu S&#x00E3;o Jo&#x00E3;o de Deus: Psiquiatria e Hist&#x00F3;ria</source>
			  <publisher-loc>Lisboa</publisher-loc>
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				  <surname>&#x00C1;lvarez-Ur&#x00ED;a</surname>
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				  </name>  	      	  	  	    
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			  <year>1983</year> 
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				  <surname>Ara&#x00FA;jo</surname>
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			  <source>Dar aos pobres e emprestar a Deus: as Miseric&#x00F3;rdias de Vila Vi&#x00E7;osa e Ponte de Lima (s&#x00E9;culos XVI-XVIII)</source>
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			  <year>2007</year>   
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			  <year>2002</year> 
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			  <article-title>A institucionaliza&#x00E7;&#x00E3;o da loucura em Portugal</article-title>
			  <source>Revista Cr&#x00ED;tica de Ci&#x00EA;ncias Sociais</source>
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			  <year>2011</year>  
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			  <year>1943</year>  
			  <article-title>Os alienados em Portugal. Hist&#x00F3;ria e Estat&#x00ED;stica</article-title>
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			  <chapter-title>Forma&#x00E7;&#x00E3;o e assist&#x00EA;ncia de sa&#x00FA;de mental nos s&#x00E9;culos XIX e XX, no Hospital Conde Ferreira</chapter-title>
			  <conf-name>Cultura Escolar, Migra&#x00E7;&#x00F5;es e Cidadania. Actas do VII Congresso Luso-Brasileiro de Hist&#x00F3;ria da Educa&#x00E7;&#x00E3;o</conf-name>
			  <conf-loc>Porto</conf-loc>
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			  <publisher-loc>Lisboa</publisher-loc>
			  <publisher-name>Instituto Piaget</publisher-name>
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				  <given-names>H&#x00E9;l&#x00E8;ne</given-names>
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			  <year>1994</year>  
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			  <publisher-name>Diputaci&#x00F3;n de Val&#x00E8;ncia</publisher-name>
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