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				<journal-title>Asclepio. Revista de Historia de la Medicina y de la Ciencia</journal-title>
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				<source>Ancient Greek Medicine in Questions and Answers: diagnostics, didactics, dialectis</source>
				<series>Studies In Ancient Medicine, 54</series>
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		<p>Este Volume re&#xfa;ne nove estudos que foram previamente apresentados na Confer&#xea;ncia Internacional, em Leuven (2016), sobre o tema <italic>Where does it hurt? Ancient Medicine in Questions and Answers</italic>. Entre outros assuntos, reflecte-se sobre as formas de comunica&#xe7;&#xe3;o e interac&#xe7;&#xe3;o entre m&#xe9;dico e paciente, e sobre as diferentes metodologias que as escolas m&#xe9;dicas definiram para essa rela&#xe7;&#xe3;o. Na introdu&#xe7;&#xe3;o, M. Meeusen enquadra o tema da dial&#xe9;ctica entre o m&#xe9;dico e o paciente, numa din&#xe2;mica quest&#xe3;o-resposta, como parte relevante do diagn&#xf3;stico e do tratamento m&#xe9;dicos, tanto na Antiguidade Cl&#xe1;ssica como na actualidade. No <italic>Corpus hippocraticum</italic> &#xe9; poss&#xed;vel reunir informa&#xe7;&#xe3;o sobre essa dial&#xe9;ctica, como tamb&#xe9;m nas <italic>Quaestiones medicinales</italic> de Rufo de &#xc9;feso ou mesmo em alguns tratados de Galeno, em que se critica o uso de um m&#xe9;todo que n&#xe3;o inclua a interroga&#xe7;&#xe3;o m&#xe9;dica. Como compreendemos pelos v&#xe1;rios estudos, n&#xe3;o havia na medicina antiga um m&#xe9;todo uniforme, pois as escolas m&#xe9;dicas definiam teorias distintas para a rela&#xe7;&#xe3;o m&#xe9;dico-paciente. Embora se compreenda facilmente o valor da comunica&#xe7;&#xe3;o na pr&#xe1;tica m&#xe9;dica, h&#xe1; aspectos a ter em conta como por exemplo: estar&#xe1; o paciente a dizer a verdade? Est&#xe1; o paciente na plenitude das suas capacidades mentais para relatar o que sente? N&#xe3;o pode o uso pouco correcto da linguagem dificultar ou iludir a interpreta&#xe7;&#xe3;o m&#xe9;dica? Al&#xe9;m das quest&#xf5;es que surgem nos tratados m&#xe9;dicos, estas d&#xfa;vidas fazem parte da complexidade m&#xe9;dica, percebendo-se, ao longo da hist&#xf3;ria e do ensino da medicina, a necessidade de definir com clareza as melhores estrat&#xe9;gias que o m&#xe9;dico deve seguir na complexa rela&#xe7;&#xe3;o com o paciente. Por conseguinte, &#xe9; neste &#xe2;mbito que os estudos inclu&#xed;dos neste volume, com uma sequ&#xea;ncia diacr&#xf3;nica, apresentam e analisam v&#xe1;rias perspectivas metodol&#xf3;gicas, baseando-se em fontes diversas, desde tratados a fragmentos an&#xf3;nimos, dos textos hipocr&#xe1;ticos a Alexandre de Trales.</p>
		<p>A. Pelasvski (&#x201c;Questioning the Obvious: the Use of Questions and Answers in Assessing Consciousness in the Hippocratic Corpus&#x201d;), com base no <italic>Corpus hippocraticum</italic>, analisa a dimens&#xe3;o &#x201c;metacognitiva&#x201d; das quest&#xf5;es e a forma como os pacientes se (auto)manifestam nas respostas. Essa comunica&#xe7;&#xe3;o interpessoal revela, segundo o A., um n&#xed;vel de consci&#xea;ncia que merece ser explorado, at&#xe9; porque isso nos permite avaliar os dois intervenientes no acto m&#xe9;dico. </p>
		<p>Por sua vez, R. Mayhew (&#x201c;Peripatetic and Hippocratic Seeds in Pseudo-Aristotle, <italic>Problemata</italic> 4: Raising Questions about Aristotle&#x2019;s Rejection of the Pangenesis Theory of Generation&#x201d;) aborda no seu estudo o tema da reprodu&#xe7;&#xe3;o a partir do <italic>Problemata</italic> 4 (<italic>peri aphrodisia</italic>; especialmente, 2, 15 e 21) do tratado <italic>Problemata physica</italic>, atribu&#xed;do pela tradi&#xe7;&#xe3;o a Arist&#xf3;teles, comparando-o com a teoria pangen&#xe9;tica do tratado hipocr&#xe1;tico <italic>A semente</italic>. Numa interessante an&#xe1;lise intertextual, o A. aponta v&#xe1;rias raz&#xf5;es para Arist&#xf3;teles recusar a teoria pangen&#xe9;tica, colocando a hip&#xf3;tese de essa rejei&#xe7;&#xe3;o estar relacionada com uma determinada fase do seu percurso, eventualmente por influ&#xea;ncia de algum autor ou pensador da &#xe9;poca.</p>
		<p>O estudo de K. Oikonomopoulou &#x201c;Autho(s) and Reader(s) in the <italic>Supplementary Problems</italic> (<italic>Supplementa Problematorum</italic>)&#x201d;) baseia-se na colec&#xe7;&#xe3;o imperial intitulada <italic>Supplementa Problematorum</italic>, de data&#xe7;&#xe3;o incerta, que tem merecido pouca aten&#xe7;&#xe3;o por parte dos estudiosos. O objectivo da A. &#xe9; analisar a interac&#xe7;&#xe3;o entre autores e leitores, identificando as estrat&#xe9;gias que presidem a esta rela&#xe7;&#xe3;o, na maioria das vezes desnivelada, uma vez que o conhecimento m&#xe9;dico do autor &#xe9; superior. Embora n&#xe3;o seja poss&#xed;vel confirmar que o destinat&#xe1;rio/leitor dos <italic>problemata</italic> fosse sempre um estudante de medicina, a intencionalidade pedag&#xf3;gica desta colec&#xe7;&#xe3;o de quest&#xf5;es &#xe9; inquestion&#xe1;vel. Como bem salienta a A., o enquadramento cultural &#xe9; revelante para interpretar as quest&#xf5;es e a forma como os intervenientes participam na din&#xe2;mica quest&#xe3;o-resposta.</p>
		<p>M. Meeusen (&#x201c;Ps.-Alexander of Aphrodisias on Unsayable Properties in <italic>Medical Puzzles and Natural Problems</italic>&#x201d;) analisa o tema principal deste Volume a partir da obra <italic>Quest&#xf5;es M&#xe9;dicas e Problemas Naturais</italic> (228 sec&#xe7;&#xf5;es, divididas em dois livros) de Ps.-Alexandre de Afrod&#xed;sias (ou Alexandre de Damasco, uma hip&#xf3;tese que o A. coloca na parte final do cap&#xed;tulo), em particular o conceito &#x1f30;&#x3b4;&#x3b9;&#x3cc;&#x3c4;&#x3b7;&#x3c4;&#x3b5;&#x3c2; &#x1f05;&#x3c1;&#x3c1;&#x3b7;&#x3c4;&#x3c4;&#x3bf;&#x3b9;, tanto do ponto de vista te&#xf3;rico, como pr&#xe1;tico. De entre as reflex&#xf5;es que o A. tece, real&#xe7;o a forma como equaciona a rela&#xe7;&#xe3;o entre as &#x201c;propriedades indiz&#xed;veis&#x201d; e os problemas insol&#xfa;veis, bem como a possibilidade de muta&#xe7;&#xe3;o dessas propriedades, nomeadamente deixarem de ser &#x201c;indiz&#xed;veis&#x201d;. Talvez de origem est&#xf3;ica e que surge j&#xe1; em Galeno, este conceito marca uma separa&#xe7;&#xe3;o entre, por um lado, a medicina e a ci&#xea;ncia, e, por outro, o pensamento teol&#xf3;gico, sendo de assinalar, mais uma vez, o valor did&#xe1;ctico da constru&#xe7;&#xe3;o quest&#xe3;o-resposta.</p>
		<p>No seu estudo, L. Gili &#x201c;Erotetic Logic, Uncertainty and Therapy: Galen and Alexander on Logic and Medicine&#x201d; compara a l&#xf3;gica erot&#xe9;tica de Galeno com a de Alexandre de Afrod&#xed;sias, tendo por base a tradi&#xe7;&#xe3;o aristot&#xe9;lica. Constata que o processo dial&#xf3;gico gera informa&#xe7;&#xe3;o, sobretudo quando &#xe9; bem conduzido, embora n&#xe3;o garanta que se elimine a incerteza relativamente ao assunto em reflex&#xe3;o. Conclui-se desta compara&#xe7;&#xe3;o uma grande diferen&#xe7;a: ao contr&#xe1;rio de Alexandre de Afrod&#xed;sias, Galeno n&#xe3;o representa formalmente, no di&#xe1;logo, a discrep&#xe2;ncia epist&#xe9;mica entre um conjunto de premissas de valor diferente, n&#xe3;o escondendo os dois que os m&#xe9;dicos n&#xe3;o t&#xea;m, por vezes, a certeza quanto &#xe0; verdade das premissas. Segundo o A., para Galeno e Alexandre de Afrod&#xed;sias, a medicina &#xe9; um sistema axiom&#xe1;tico de car&#xe1;cter dedutivo, podendo ser usada uma linguagem diferente nessa sequ&#xea;ncia dedutiva, por ser um sistema flex&#xed;vel.</p>
		<p>Os tr&#xea;s estudos que se seguem t&#xea;m em comum o facto de basearem a sua an&#xe1;lise em documentos papirol&#xf3;gicos. A. Ricciardetto (&#x201c;La r&#xe9;ponse du m&#xe9;decin: les rapports d&#x2019;inspection m&#xe9;dicale &#xe9;crits en grec sur papyrus (I<sup>er</sup>-IV<sup>e</sup> si&#xe8;cles)&#x201d;) demonstra que as informa&#xe7;&#xf5;es dos relat&#xf3;rios m&#xe9;dicos possuem elementos muito valiosos para se avaliar as caracter&#xed;sticas da popula&#xe7;&#xe3;o (doen&#xe7;as, alimenta&#xe7;&#xe3;o, higiene, entre outros) e permitem compreender, por um lado, a rela&#xe7;&#xe3;o entre as autoridades administrativas e os m&#xe9;dicos, e, por outro, as pr&#xe1;ticas seguidas no acto cl&#xed;nico ou exame, que revelam ser bastante padronizadas, mesmo quanto &#xe0;s quest&#xf5;es que se colocam durante este processo. Depois, I. Bonati (&#x201c;Definitions and Technical Terminology in the <italic>Er&#xf4;tapokriseis</italic> on Papyrus&#x201d;) identifica e interpreta a terminologia t&#xe9;cnica que &#xe9; usada nos muitos textos m&#xe9;dicos com o formato <italic>erotapokrisis</italic> (quest&#xe3;o-resposta) em papiros, que abordam temas diversos (anatomia, ginecologia, cirurgia, patologia ou oftalmologia), estabelecendo-se uma compara&#xe7;&#xe3;o com a tradi&#xe7;&#xe3;o das <italic>definitiones</italic> e <italic>quaestiones medicinales</italic>. &#xc0; semelhan&#xe7;a de outros estudos deste Volume, conclui-se que a <italic>erotapokrisis</italic> &#xe9; uma metodologia relevante do procedimento m&#xe9;dico, com o adicional interesse de, nos papiros, haver v&#xe1;rias particularidades lexicais que s&#xe3;o apontadas pela A. Quanto ao estudo de N. Reggiani (&#x201c;Digitizing Medical Papyri in Question-and-Answer Format&#x201d;), numa linha semelhante ao cap&#xed;tulo anterior, concentra-se mais no tema do formato da <italic>erotapokrisis</italic>, pondo a hip&#xf3;tese de ser uma marca de oralidade do pr&#xf3;prio processo pedag&#xf3;gico. Passa depois a explicar o trabalho que foi desenvolvido pelo Projecto DIGMEDTEXT, de 2014 a 2016, que teve como objectivo a constitui&#xe7;&#xe3;o de uma base de dados de papiros gregos relacionados com a medicina, fundamental para se compreender melhor a hist&#xf3;ria da medicina na Antiguidade, em particular o tema da <italic>erotapokrisis</italic> na din&#xe2;mica m&#xe9;dica.</p>
		<p>No &#xfa;ltimo cap&#xed;tulo, o estudo de L. Mareri (&#x201c;Questions on the Unseen: Alexander of Tralles&#x2019; Patient Interaction&#x201d;) explora o tema da interac&#xe7;&#xe3;o entre m&#xe9;dico e paciente na obra de Alexandre de Trales (s&#xe9;c. IV), em particular o papel que a &#x2018;quest&#xe3;o&#x2019; desempenha no diagn&#xf3;stico que o m&#xe9;dico elabora e na decis&#xe3;o quanto &#xe0; forma de tratamento. S&#xe3;o, sobretudo, abordadas duas doen&#xe7;as: a melancolia e a frenite. Para as tratar, o processo dial&#xf3;gico &#xe9; essencial para a pr&#xe1;tica m&#xe9;dica, segundo Alexandre de Trales, sem negligenciar outros procedimentos.</p>
		<p>Em conclus&#xe3;o, estamos na presen&#xe7;a de um Volume muito coerente do ponto de vista tem&#xe1;tico, com estudos que abordam textos m&#xe9;dicos antigos que nem sempre s&#xe3;o inclu&#xed;dos em publica&#xe7;&#xf5;es desta natureza. A argumenta&#xe7;&#xe3;o dos estudos &#xe9; s&#xf3;lida e revela que os Autores conhecem bem os textos em an&#xe1;lise, tal como a bibliografia sobre a tem&#xe1;tica central. Atendendo ao t&#xed;tulo do Volume, o tema do papel did&#xe1;ctico e dos destinat&#xe1;rios dos textos mereceria uma abordagem mais aut&#xf3;noma e directa. Da leitura dos nove cap&#xed;tulos, compreende-se o valor da dimens&#xe3;o sociol&#xf3;gica da arte m&#xe9;dica, associada ao uso do <italic>logos.</italic> Num momento em que o exerc&#xed;cio da medicina parece caminhar gradualmente para a diminui&#xe7;&#xe3;o do factor humano, estes textos recordam-nos como o processo quest&#xe3;o-resposta &#xe9; t&#xe3;o significativo e como continua a ser fundamental para m&#xe9;dicos e pacientes.</p>
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